PUBLICIDADE
NOTÍCIA

George Clooney fala sobre a ficção-científica "O Céu da Meia-Noite", estrelada e dirigida por ele para a Netflix

Longa estreia no catálogo da Netflix no próximo dia 23 de dezembro. Filme retrata o isolamento e a busca por um novo lar após catástrofe global, enquanto discute memória e pertencimento

Rubens Rodrigues
11:34 | 09/12/2020
George Clooney e Tiffany Boone no set de "O Céu da Meia-Noite"
 (Foto: DIVULGAÇÃO/NETFLIX)
George Clooney e Tiffany Boone no set de "O Céu da Meia-Noite" (Foto: DIVULGAÇÃO/NETFLIX)

É no isolamento causado por uma catástrofe global que o cientista Augustine, interpretado por George Clooney, precisa fazer contato com uma equipe de astronautas liderada por Sully (Felicity Jones, de "Rogue One: Uma História Star Wars"). A partir disso, se desenvolve uma narrativa sobre memória, pertencimento e, principalmente, redenção.

Sétimo longa-metragem de Clooney como diretor, "O Céu da Meia-Noite" estreia no próximo dia 23 de dezembro com a missão de trazer novo fôlego à carreira do realizador após o timidamente recebido "Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso" (2017). O elenco traz ainda David Oyelowo, Kyle Chandler, Demián Bichir, Tiffany Boone e a pequena Caoilinn Springall, estreante nas telas.

"Meia-Noite" é também uma tentativa de Clooney em competir ao Oscar pela primeira vez desde 2013, quando produziu o vencedor de Melhor Filme "Argo". Em 2006, ano em que foi eleito Melhor Ator Coadjuvante por "Syriana", chegou a ser indicado como Melhor Diretor por "Boa Noite e Boa Sorte". O longa também concorreu na categoria de Melhor Roteiro Original.

O filme baseado no romance ainda inédito no Brasil "Good Morning, Midnight", de Lily Brooks-Dalton, estará disponível no catálogo da Netflix. A empresa convidou Clooney para assinar a distopia espacial com orçamento de US$ 100 milhões e roteiro de Mark L. Smith, de "O Regresso". O chefe de conteúdo da Netflix, Ted Sarandos, chegou a dizer que "esse pode ser o melhor trabalho de Clooney como diretor".

Pandemia

As gravações terminaram no começo deste ano, semanas antes da pandemia de Covid-19 tomar conta do planeta. Isso significa que toda a pós-produção precisou ser feita durante o isolamento social. Clooney percebeu então que tinha em mãos um filme ainda mais oportuno para o momento e com uma discussão atual.

"Quando começamos a falar sobre o filme, queríamos discutir sobre o que o homem é capaz de fazer pela humanidade", afirmou o ator e diretor em coletiva de imprensa virtual. "Então com a pandemia ficou evidente sobre o que era a história: nosso desespero para estar em casa, perto das pessoas que amamos e como é difícil quando problemas na comunicação atrapalham nossos planos".

Esperança

O diretor conta que a gravidez de Felicity Jones - que acabou sendo incluída no roteiro do filme - deu mais humanidade à narrativa. "É engraçado que (naquele cenário espacial) o único sinal de vida que conseguimos encontrar estava dentro de Felicity. Havia a ideia de que toda a humanidade enfrentava problemas e quando a gente se depara com isso, dá esperança", aponta.

Ele conta que a notícia da gravidez veio apenas três semanas antes das filmagens começarem. "Eu a parabenizei e me dei conta, perguntei a ela o que faríamos e ela quis fazer", comemora. "De repente, nos encontramos com esses grandes cinco atores que se uniram para protegê-la e prestar apoio. O que aconteceu com Felicity nos deu mais senso de responsabilidade", sinaliza o diretor.

Para a atriz, a decisão de Clooney foi "corajosa", já que Hollywood é conhecida por demitir atrizes que engravidam na véspera de realizar projetos. "Foi um alívio! Ele tomou a decisão de me deixar completamente confortável com isso (em cena)", conta Jones. Ela destaca, nesse sentido, que o longa trata justamente "sobre o sentido da vida, a razão de estarmos aqui e o que valorizamos".

Representatividade

No quinteto de atores que dá vida aos astronautas estão David Oyelowo e Tiffany Boone, ambos afrodescendentes, e o mexicano Demián Bichir. Mesmo com carreira extensa nas telas, Bichir reconhece que "não existem muitos roteiros para mexicanos na indústria" e daí a necessidade de não deixar a oportunidade passar.

Além disso, há uma questão política evidente que permeia o longa, mesmo não verbalizada. "A história se passa algumas décadas no futuro e eu nunca vi um astronauta negro em um filme como esse", afirma, emocionado, Oyelowo. "Havia um sentimento de diversidade. Me senti muito forte, orgulhoso de ser afrodescendente em uma equipe para salvar o mundo. Grato pela representatividade".

*O repórter participou da coletiva de imprensa global, por meio do Zoom, a convite da Netflix.