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João Paulo Lima faz campanha de financiamento para lançar obra de estreia

Erotismos e corpos políticos se encontram em "Viço Manco Voo", que está em campanha de financiamento até 10 de dezembro

16:04 | 14/11/2020
João Paulo Lima, artista escritor da obra
João Paulo Lima, artista escritor da obra "Viço Manco Voo" (Foto: Guilherme Silva/Divulgação)

“Viço Manco Voo” é o primeiro livro do mestre em literatura João Paulo Lima. Poesia é a linguagem escolhida para traçar as dores e as delícias de ocupar um corpo negro, homossexual e de uma pessoa com deficiência no Brasil e, mais especificamente, em Fortaleza.

Com lançamento previsto para janeiro de 2021, a produção está em campanha pela plataforma Catarse até o dia 10 de dezembro. Por lá, ainda é possível conferir a pré-venda que atribui o valor de R$ 25 ao e-book e R$ 35 a versão física, sem incluir taxa de entrega. O que não for arrecadado será complementado pela editora Substânsia e pelo escritor de forma independente.

Ainda, a editora, que caminha em conjunto com autores contemporâneos e produções independentes, também fará a distribuição. Lima manifesta que, apesar de ter buscado editais, se sente emocionado pelo formato escolhido em que é possível ver as pessoas colaborando com o projeto. “A literatura está sendo quase marginalizada pelas instituições e é muito bom não depender de empresas públicas ou privadas.”

O profissional também trabalha com dança, teatro e performance e usou essa sua experiência para entregar por meio da palavra o que expressa com o corpo e a fala em seu dia a dia.

Assim, a obra transita entre três temáticas: o erotismo, pelo viço, a deficiência, pelo manco e, por fim, o voar, que acontece através da poesia. Em entrevista, o autor conta que o fio condutor deste livro é o reconhecimento de seus afetos. “As pessoas com deficiência (PcD) têm desejos, fetiches e afetividades, mas isso nos é negado por muito tempo. Já o manco é porque existe essa poesia aleijada, que eu cuspi na rua, enquanto esse voo me é permitido pela própria palavra. Já não quero que a minha poesia se esconda, pelo contrário, quero que ela diga que há corpos negros, LGBTs que são negados como corpos afetivos.”

O livro também traz memórias da infância, o gosto do café da tia e as férias no Maranguape. Criado em uma família extremamente religiosa, o escritor revela que seu maior receio é que eles leiam seus escritos e o questionem, mas, ao mesmo tempo, informa que já não se interessa mais em julgamentos.

“Nas letras, às vezes, criamos um certo medo de escrever por causa da faculdade, das exigências. Acho que eu escrevia mais por minhas afeições do que para os outros lerem, porém durante o meu mestrado eu me envolvi muito com teatro, fiz técnico de dança, então percebi que a escrita fora da academia é muito mais espontânea. Até que comecei a ir mostrando para amigos, recebendo feedbacks e pensei lançar um livro que tem a ver com meu momento ”, desabafa.

Serviço

 

“Viço Manco Voo” de João Paulo Lima

Quanto: a partir de 25 reais 

Disponível pela plataforma Catarse