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Acerp anuncia demissão dos funcionários da Cinemateca Brasileira

O anúncio foi feito pela Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) nesta quarta-feira, 12 de agosto

14:45 | 14/08/2020
Além de não ter repassado nenhuma parte dos R$ 12 milhões destinados ao equipamento em 2020, governo ainda deve R$ 11 mihões de 2019 à associação que administra o local (Foto: Divulgação)
Além de não ter repassado nenhuma parte dos R$ 12 milhões destinados ao equipamento em 2020, governo ainda deve R$ 11 mihões de 2019 à associação que administra o local (Foto: Divulgação)

A Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) anunciou que 41 funcionários da Cinemateca Brasileira foram demitidos nesta quarta-feira, 12 de agosto. Desde o início deste ano, o equipamento cultural não recebia as parcelas do orçamento anual destinado à manutenção.

A instituição estava sob gestão da Acerp, que estava impossibilitada de gerir conforme o necessário devido à falta de pagamento referente ao montante de R$ 12 milhões. De acordo com a associação, o dinheiro destinado aos profissionais só poderá ser entregue quando o Governo Federal pagar a dívida.

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Porém, há uma semana, no dia 7 de agosto, a Polícia Federal, juntamente com o Secretário Nacional do Audiovisual substituto, Hélio Ferraz de Oliveira, vinculado à Secretaria Especial da Cultura, realizaram uma operação para pegar as chaves do lugar e assumir o controle. A ação foi uma demanda do atual secretário especial da Cultura, Mario Frias.

“É impossível pensar numa transição responsável sem incluir esses trabalhadores, que, por sua vez, possuem um valioso conhecimento sobre a instituição e seu acervo que necessita ser passado adiante. Esta é a última geração que conviveu com os servidores públicos que atuaram décadas na instituição e que, portanto, carrega sua história e legado”, afirma o grupo de trabalhadores do local “S.O.S Cinemateca Brasileira” nas redes sociais.

Desde maio deste ano, um abaixo-assinado iniciou em defesa da Cinemateca. Com mais de 19 mil assinaturas, o documento mostra que o equipamento passa por um processo contínuo de enfraquecimento desde a intervenção do Ministério da Cultura, em 2013. “A atual Secretaria Especial da Cultura, responsável pela Cinemateca, tem seus vínculos administrativos divididos entre os ministérios da Cidadania e do Turismo. Essa situação esquizofrênica dificulta a atuação do governo com a urgência necessária para impedir a falência da Cinemateca”, indica.

O texto ainda continua ao afirmar que o descaso governamental foi o responsável pelo incêndio que aconteceu em 2016, sendo o quarto de sua história. Na época, mil rolos de filmes foram perdidos. Ainda assim, tem o maior acervo audiovisual da América do Sul. “Estão sob sua custódia coleções públicas e privadas que constituem a memória audiovisual do país. Além do seu intrínseco valor cultural, as obras dos produtores nacionais agregam valor econômico; são fonte de renda industrial que mantém a dinâmica do setor”, especifica a carta aberta.

Para lutar contra a falta de responsabilidade do Governo Federal acerca da Cinemateca, seus trabalhadores também criaram perfis nas redes sociais. Com organização de greves, atos públicos, exibições de filmes on-line, promovem discussões sobre a atual situação. Na sexta-feira, 7 de agosto, o movimento organizou um "Grito de Alerta pela Cinemateca e seus trabalhadores" antes da entrega das chaves do equipamente. O questionamento era: "O governo pega as chaves, mas quem cuida?". Confira abaixo:

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