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Morre de coronavírus Luciano Carneiro, poeta, cordelista e mestre da cultura popular

Luciano Carneiro era Mestre da Cultura Popular e dedicou-se à poesia no Crato, município onde morava desde os 16 anos.

16:56 | 24/07/2020
Luciano Carneiro, mestre da Cultura (Foto: CAMILA DE ALMEIDA, EM 13/6/2017)
Luciano Carneiro, mestre da Cultura (Foto: CAMILA DE ALMEIDA, EM 13/6/2017)

O poeta e cordelista Luciano Carneiro morreu nesta quinta-feira, 23, aos 78 anos, no Crato, vítima da Covid-19. Carneiro foi reconhecido como Mestre da Cultura Popular pela Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) desde 2008. 

Nascido na Paraíba, Luciano Carneiro mudou-se para o Crato, no Cariri cearense, aos 16 anos, onde viveu desde então. Trabalhou como agricultor, carroceiro, vigia e outras funções, sempre compondo os próprios poemas. "Minha influência maior foi meu pai. Depois dele, a poesia em si. Em todo canto em que trabalhei, eu fiz poesia. Virei gente por meio da poesia. Eu digo que a poesia é o tempero da vida. Onde tem poeta e poesia pode ter certeza que existe alegria, existe uma aceitação das pessoas”, disse em entrevista para O POVO em 2017.

O poeta começou a divulgar suas obras em 1975, no programa Coisas do Meu Sertão. Foi também um dos membros-fundadores da Academia dos Cordelistas do Crato, em 1991. Aos 75 anos lançou o livro "Onde Mora a Poesia".

Leia também | Entrevista com o poeta e Mestre da Cultura Luciano Carneiro

A Secult emitiu nota de pesar pela morte do cordelista. "Os versos hoje são de tristeza e pesar. A Secretária da Cultura do Ceará (Secult Ceará) celebra a vida e a obra do nosso querido mestre Luciano Carneiro que faleceu, nessa quinta-feira, dia 23 de julho, vítima da Covid-19. O céu se abre em poesia, como o mestre tanto queria, para receber sua melodia, para festejar sua travessia. Viva o mestre, o Ceará agradece seu legado, reconhece sua arte, sua maestria. Que a encantaria lhe receba bem em sua nova moradia. São os votos da Secult Ceará e do povo cearense".

Em entrevista para O POVO, em 2017, Luciano falou sobre a importância da arte como um ato político e democrático da sociedade. “O poeta é cúmplice, tem que alertar o povo. Não pode fazer vista grossa com os acontecimentos. A gente tem que procurar abrir os olhos do povo, se não fica todo mundo alienado, os artistas e aqueles que vão consumir o trabalho do artista”.