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Vida & Arte
NOTÍCIA

Nova morada para a "Mulher Rendeira"? Casa de José de Alencar é sugerida para abrigar escultura após restauro

Educador e turismólogo, Gerson Linhares sugere a Casa de José de Alencar para abrigar a escultura da "Mulher Rendeira"

Lillian Santos
16:05 | 09/06/2020
José Viana da Silva, o professor que resgatou a "Mulher Rendeira", obra do artista pernambucano José Corbiniano Lins (Foto: Aurelio Alves/O POVO)
José Viana da Silva, o professor que resgatou a "Mulher Rendeira", obra do artista pernambucano José Corbiniano Lins (Foto: Aurelio Alves/O POVO)

Na última semana, moradores e admiradores da história e do patrimônio cultural de Fortaleza acompanharam o descaso com uma das obras de arte que fazem parte da memória da Cidade. A escultura Mulher Rendeira, obra do escultor pernambucano José Corbiniano Lins, estava instalada desde 1966 na entrada da agência do Banco do Brasil, localizada na Praça do Carmo, no Centro da Capital.

A escultura teve seu desaparecimento notificado no último dia 29, pelo músico Calé Alencar, em postagem no Instagram. Calé escreveu que a Mulher Rendeira foi desmontada por operários e, em seguida, colocada em um container. “Alertado por alguém que passou no local, uma pessoa foi até lá com uma kombi e recolheu as partes do monumento com intuito de restaurá-la”. O homem em questão é José Viana da Silva, professor e microempreendedor, que resgatou os pedaços da escultura e agora trabalha junto ao BB no restauro da Mulher Rendeira.

O POVO noticiou em 1º de junho que o secretário da Cultura do Ceará Fabiano Piúba afirmou, em nota, que a Secult irá solicitar a doação da obra. “Um lugar interessante que pensamos seria a praça Luiza Távora (Ceart), mas sabemos que o lugar da “Mulher rendeira” é no jardim da agência do banco na Duque de Caxias”, informou Piúba.

Mas reconduzir a escultura da Mulher Rendeira para a entrada da agência no Centro é o desfecho apropriado para a obra após todo o ocorrido? Para Gerson Linhares, educador e turismólogo, não. Coordenando o Museu do Caju, localizado na Jurema, em Caucaia, Gerson afirma que há outros locais na Cidade mais apropriados para acolher a escultura do que a instituição bancária.

Restaurar a peça e depois devolver para o mesmo local eu discordo, acho que o BB deveria se redimir e doar essa obra para algum equipamento cultural. O ideal é colocar na Casa de José de Alencar ou no Dragão do Mar, esse por ter o Museu da Cultura Cearense. Já a Casa de José de Alencar, por abrigar o acervo da Luíza Ramos, é o lugar mais apropriado. Melhor do que estar no Centro junto a uma instituição que provou não ter responsabilidade patrimonial”, detalha.

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A sugestão mais adequada para Gerson seria a Casa de José de Alencar, no bairro Alagadiço Novo. No local, é possível conhecer o Museu Arthur Ramos, a Pinacoteca Floriano Teixeira, o Salão Iracema Descartes Gadelha e coleção de rendas de bilro da pesquisadora Luíza Ramos. O educador explica que alojar a escultura da Mulher Rendeira na Casa contribui para a preservação da cultura da renda feita no Ceará. “Lá é um espaço seguro, fechado, tem os jardins, tem toda a cultura do local, além de ser uma forma de sensibilizar as crianças e jovens na questão da produção da renda no Estado e contribuir com o turismo”, analisa.

Da mesma forma que a escultura da “Mulher Rendeira”, que sofreu como descaso do poder público e privado, a estátua de “Martins Soares Moreno e Iracema”, na avenida Beira-Mar e o “Monumento ao Vaqueiro”, no aeroporto Pinto Martins, obras que também são de autoria de José Corbiniano Lins, perdem com a negligência das instituições encarregadas para a preservação.

“Está faltando gestores que possuem conhecimento do patrimônio público, pessoas de visão para trabalhar com a cultura e com o turismo. Todo esse desinteresse pela nossa história é devido a falta de educação patrimonial. Não existe sensibilização da população com o nosso patrimônio, a história de Fortaleza está mal preservada”, conclui Gerson Linhares.