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Escritores cearenses rememoram ousadia e irreverência de Rubem Fonseca

O autor morreu na última quarta-feira, 15, aos 94 anos

Natália Coelho
15/04/2020 18:46:08
A carreira do escritor durou mais de quatro décadas
A carreira do escritor durou mais de quatro décadas (Foto: Zeca Fonseca/Divulgação)

“Sempre que alguém mencionar Rubem Fonseca, vai falar do escritor que modificou a literatura brasileira”. Quem afirma é o cearense Marco Severo, em memória ao escritor mineiro Rubem Fonseca. O autor, contista, romancista, faleceu na tarde desta quarta-feira, 15, no Rio de Janeiro.

Conhecido pela narrativa realista, enredos violentos e habilidade com as palavras — e pela eventual presença de palavrões —, Rubem Fonseca se eternizou como um dos símbolos da literatura brasileira do século XX.

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Amigo da família, Marco Severo começou a se corresponder com o escritor quando tinha 14 anos. A amizade de pena durou sete anos, até o dia em que os dois se conheceram pessoalmente, no Rio de Janeiro. “Eu devo tudo a ele. Eu me tornei contista por conta dele, no sentido de querer explorar mais a arte do conto. Os meus textos bebem muito da fonte de seus textos. Eu perdi uma pessoa que já foi muito próxima a mim”.

“Ele trouxe uma linguagem nova para a literatura brasileira. De repente tínhamos uma linguagem ágil, nova. Ele não tinha medo de usar palavrão, por exemplo. Ele não vai ser esquecido. Daqui a cem anos vão estar lendo Rubem Fonseca", resume o amigo, discípulo e fã.

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Também contista, o também cearense Carlos Vazconcelos ressalta que Rubem Fonseca será lembrado como o escritor que já era clássico mesmo em vida. Segundo o autor, o legado deixado por Fonseca foi algo quee moldou a literatura brasileira contemporânea, influenciando obras posteriores, como o romance Cidade de Deus, de Paulo Lins — inspiração do filme homônimo, de 2002 —, e seu próprio livro de contos, O Mundo dos Vivos.

“Ele foi um autor que influenciou gerações de escritores. Ele tinha essa narrativa forte, em que ele expunha a violência das cidades contemporâneas, também com o objetivo da denúncia. Por exemplo, o conto O Cobrador, sobre o homem que resolve cobrar da sociedade tudo que lhe foi negado”.

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O escritor Bruno Paulino também ressalta que Rubem Fonseca esteve presente na sua trajetória literária. Com textos memoráveis, Bruno destaca o romance histórico Agosto, que narra o último mês do ex-presidente Getúlio Vargas, em 1954. O escritor cearense também ressalta os contos O Cobrador e Passeio Noturno, como textos que o marcaram “Seu realismo feroz, cruel, que não cedia, sua própria linguagem, o palavrão e o baixo calão. Seus contos são memoráveis e marcaram a literatura brasileira. Rubem Fonseca narrava sem dó, nem piedade”.

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