PUBLICIDADE
NOTÍCIA

Polaca Olga Tokarczuk e austríaco Peter Handke são premiados com o Nobel da Literatura

Olga foi escolhida para o prêmio de 2018, quando não houve entrega de Nobel da Literatura após escândalo de abuso sexual e crimes financeiros

10/10/2019 09:13:46
Os escritores Olga Tokarczuk e Peter Handke
Os escritores Olga Tokarczuk e Peter Handke (Foto: Beata ZAWREL e BARBARA GINDL/AFP)

Os prêmios Nobel da Literatura de 2018 e 2019 foram atribuídos à polaca Olga Tokarczuk e ao austríaco Peter Handke, respetivamente. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 10, em Estocolmo. O Nobel de 2018 foi anunciado nesta quinta depois de, no ano passado, ter sido cancelada a entrega após um escândalo de abuso sexual e crimes financeiros que afetou a Academia sueca.

Tokarczuk foi premiada por "sua imaginação narrativa que, com uma paixão enciclopédica, simboliza a passagem de fronteiras como forma de vida", afirmou o secretário da Academia Sueca, Mats Malm. O Nobel de 2019 foi concedido a Handke por uma obra "repleta de ingenuidade linguística que explora a periferia e a singularidade da experiencia humana".

Olga Tokarczuk

Autora de uma dezena de livros, Olga Tokarczuk, 57 anos, é considerada na Polônia a escritora mais talentosa de sua geração. Sua obra, variada e traduzida para mais de 25 idiomas, vai de um conto filosófico até um romance policial de tom ecológico, passando por um livro histórica de 900 páginas, Os Livros de Jacó (2014). Seu único livro publicado no Brasil foi Os Vagantes.

Identificada politicamente com a esquerda, ecologista e vegetariana, a escritora, que geralmente usa dreadlocks, não hesita em criticar a política do atual governo nacionalista conservador do Partido Direito e Justiça (PiS).

Peter Handke

Peter Handke, de 76 anos, publicou mais de 80 livros e é um dos autores de língua alemã mais lidos e interpretados do mundo. Publicou sua primeira obra em 1966, As Vespas, antes de se tornar famoso com o livro O medo do goleiro diante do pênalti, em 1970.

"O Nobel de Literatura? Deveria acabar. É uma falsa canonização que não representa nada para os leitores", afirmou Handke há alguns anos.

Escândalo sexual

O Nobel de Literatura foi concedido este ano a dois autores, correspondentes a 2019 e 2018, depois que a atribuição do prêmio no ano passado foi adiada devido a um escândalo sexual. O escândalo revelou os segredos que ocorriam no interior de uma instituição afetada por intrigas e corrupção.

A Academia Sueca, criada em 1786 e fundada no modelo da antiga Academia Francesa, teve, assim, que adiar por um ano o anúncio do Nobel de Literatura 2018, algo sem precedentes nos últimos 70 anos.

A instituição precisou lidar com as relevações de agressões sexuais de um francês, Jean-Claude Arnault, influente personalidade da cena cultural sueca e que recebia generosos subsídios da academia. Ele foi condenado a dois anos e meio de prisão por estupro.

Mulheres premiadas

Com o prêmio, Olga Tokarczuk junta-se à minoria de mulheres agraciadas com este prêmio literário. Desde 1901, um total de 116 escritores – dos quais apenas 15 são mulheres – foram distinguidos com o Nobel da Literatura.

A seguir a lista de escritoras laureadas pela Academia Sueca desde a criação do prêmio:

2018: Olga Tokarczuk (Polônia)

2015: Svetlana Alexievich (Belarus)

2013: Alice Munro (Canadá)

2009: Herta Müller (Alemanha)

2007: Doris Lessing (Reino Unido)

2004: Elfriede Jelinek (Áustria)

1996: Wislawa Szymborska (Polônia)

1993: Toni Morrison (Estados Unidos)

1991: Nadine Gordimer (África do Sul)

1966: Nelly Sachs (Suécia)

1945: Gabriela Mistral (Chile)

1938: Pearl Buck (Estados Unidos)

1928: Sigrid Undset (Noruega)

1926: Grazia Deledda (Itália)

1909: Selma Lagerlöf (Suécia)

Prêmios

Este foi o quarto dos seis prêmios mais cobiçados do mundo a ser distribuído. Resta o Nobel da Paz, que revelará a pessoa a ser premiada nesta sexta-feira, e o Nobel da Economia que será anunciado a 14 de outubro.

O Prêmio Nobel de Química foi concedido na quarta-feira, 9, a três cientistas - John B. Goodenough, M. Stanley Wittingham e Akira Yoshino - pelo desenvolvimento de baterias para telefones celulares (íon de lítio).  Na terça-feira, 8, os estudos no campo do Cosmos de James Peebles, por um lado, e de Michel Mayor e Didier Queloz, por outro, foram premiados, em Estocolmo com o do Nobel da Física.

E na segunda, 7, o Prêmio Nobel de Medicina foi atribuído aos americanos William Kaelin e Gregg Semenza e ao britânico Peter Ratcliffe por suas pesquisas sobre a adaptação das células ao aporte variável de oxigênio, o que permite lutar contra a anemia e o câncer.

Você também pode gostar: