O piso salarial dos profissionais da educação sempre foi um dos assuntos mais discutidos no país, principalmente diante dos desafios enfrentados por quem trabalha na rede pública. O tema voltou ao centro dos debates neste fim de ano, com novas propostas que podem mudar significativamente a remuneração dos trabalhadores da área.
Essas discussões não envolvem apenas os professores, mas também outros servidores que atuam nas escolas públicas e são essenciais para o funcionamento do sistema educacional, como merendeiras, auxiliares, porteiros, bibliotecários e técnicos administrativos. O objetivo é criar uma valorização mais ampla dentro das carreiras ligadas à educação básica, garantindo um salário mais justo e condizente com a importância do trabalho realizado por esses profissionais.
Proposta de criação de um novo piso salarial
Durante uma audiência pública realizada no início de dezembro na Câmara dos Deputados, parlamentares e representantes da área da educação debateram o reajuste do piso salarial dos profissionais da educação básica. Dois projetos de lei foram o foco da discussão: o PL 2.531/21 e o PL 3.817/20, ambos voltados à criação de um piso nacional para os trabalhadores técnico-administrativos que atuam em escolas públicas.
O Projeto de Lei 2.531/21, proposto pela ex-deputada Rose Modesto, determina que o piso desses profissionais seja de 75% do valor recebido pelos professores. Levando em conta o atual piso nacional do magistério, que está em R$ 4.867,77, o novo valor para a categoria ficaria em torno de R$ 3.650 por mês para uma jornada de 40 horas semanais.
Atualmente, muitos desses trabalhadores recebem salários próximos ao mínimo nacional, cerca de R$ 1.800, o que torna o aumento proposto um marco importante de valorização, podendo representar mais de 100% de reajuste. Essa mudança é vista como essencial para melhorar as condições de trabalho nas escolas e reduzir a desigualdade salarial entre as funções da educação pública.
O impacto da valorização e o que ainda está em debate
O projeto ainda está em análise no Congresso, mas já recebeu parecer favorável de comissões importantes, como as de Educação, Finanças e Administração Pública. Caso aprovado, o novo piso passará a valer em todo o país, beneficiando profissionais que há anos reivindicam reconhecimento e melhores condições salariais.
A proposta também reforça o que está previsto na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que garantem o piso salarial como parte essencial da valorização do ensino público. Especialistas destacam que o reajuste não é apenas uma questão financeira, mas uma forma de fortalecer o sistema educacional e incentivar a permanência desses profissionais nas escolas.




