A dúvida sobre o uso correto das expressões “ao nosso favor” e “a nosso favor” é recorrente tanto na fala quanto na escrita. Muita gente acredita que a forma com artigo soa mais formal ou elegante, mas a norma-padrão da língua portuguesa aponta outro caminho. A construção correta é “a nosso favor”, sem artigo definido.
Esse tipo de erro é comum justamente por parecer intuitivo, o que faz da expressão uma armadilha frequente em vestibulares, no Enem e em provas de concursos públicos. A regra, no entanto, é simples e se aplica de forma consistente. Sempre que a locução vier acompanhada de pronome possessivo, a forma correta será “a meu favor”, “a teu favor”, “a seu favor” ou “a nosso favor”. A contração “ao” não deve ser utilizada nesses casos.
Por que não se usa “ao”?
A explicação gramatical está na formação da palavra “ao”. Essa forma resulta da junção da preposição “a” com o artigo masculino “o”. No entanto, na locução “a favor”, o substantivo “favor” não admite artigo definido. Como não há artigo, não existe base para a contração.
Por esse motivo, construções como “ao meu favor” ou “ao nosso favor” são consideradas incorretas pela gramática normativa. O correto é manter apenas a preposição, formando expressões como “a meu favor” e “a nosso favor”.
Outro ponto importante é o uso da crase. A expressão não admite crase, pois não há artigo feminino envolvido na construção. Assim, grafias como “à meu favor” ou “à nosso favor” também estão incorretas.
Do ponto de vista etimológico, a palavra “favor” vem do latim favor, com o sentido de apoio, benevolência ou inclinação positiva. Esse significado permanece no português atual. Por isso, a expressão “a favor” indica concordância, apoio ou vantagem em determinada situação. Uma alternativa plenamente aceita e considerada sinônima é a locução “em favor de”, como em “agir em favor da causa” ou “decidir em favor do réu”.





