Aos 28 anos, um jovem do interior de São Paulo conquistou um espaço reservado a poucos. André Hamra passou a integrar a lista Forbes Under 30, que reúne talentos com menos de 30 anos considerados promissores em diferentes áreas. A entrada do brasileiro chamou atenção não só pelo feito em si, mas pela trajetória pouco comum até ali.
Descrito como “superdotado” e “uma joia” por André Street, fundador da Stone, Hamra é o criador da Refer, uma plataforma de recolocação profissional que usa tecnologia e inteligência artificial para conectar talentos e empresas.
O que representa a lista Forbes Under 30
Diferentemente do que muitos imaginam, a lista Under 30 não é um ranking de bilionários. Todos os anos, a revista americana seleciona 30 nomes por categoria, destacando pessoas que trouxeram soluções inovadoras, impacto social ou novos modelos de negócio.
No caso de Hamra, o reconhecimento veio pelo desenvolvimento de uma startup voltada ao mercado de trabalho, em um momento em que temas como carreira, propósito e tecnologia ganham cada vez mais relevância.
Origem simples e ambição acadêmica
Filho de um médico ortopedista do SUS e de uma fisioterapeuta, André Hamra cresceu em Catanduva, no interior paulista. Ele define a família como “bem média”, distante do universo das universidades estrangeiras que cobram mais de US$ 60 mil por ano em anuidades.
Mesmo assim, desde cedo se destacou como aluno. A estratégia para estudar fora envolveu ousadia. Ainda no ensino médio, Hamra decidiu procurar empresários em busca de apoio financeiro. Foi assim que conheceu André Street.
Em 2014, foi selecionado para estudar na Fundação Estudar, iniciativa ligada a Jorge Paulo Lemann. Após assistir a uma palestra de Street no Insper, pediu diretamente uma bolsa de estudos e uma oportunidade de trabalho. Pouco tempo depois, passou a integrar um grupo que visitou a sede da Stone.
Bolsas, esforço e desempenho acima da média
Ao todo, Hamra reuniu sete bolsas de estudo, além de campanhas online e apoio institucional. A família arcou com cerca de 20% dos custos. O esforço o levou à Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, onde se formou em administração, e depois a Stanford, onde concluiu um MBA.
Durante a graduação, manteve desempenho elevado, chegou a cursar filosofia como minor e enfrentou períodos de exaustão física. Ainda assim, usava os verões para trabalhar em empresas como Ambev e Stone.
Carreira sólida e ruptura calculada
Após se formar, Hamra iniciou a carreira na Stone, onde permaneceu por quase sete anos. Liderou equipes, tocou projetos estratégicos e acumulou ações da empresa avaliadas em cerca de R$ 10 milhões, condicionadas a um longo período de permanência.
Em 2021, decidiu sair. Abriu mão dos benefícios e passou a questionar se sua trajetória profissional estava alinhada ao propósito de vida que buscava. A decisão marcou o início de um novo capítulo.
Formado também em filosofia, Hamra passou a refletir sobre trabalho, talento e realização pessoal. Dessa inquietação nasceu a Refer, projeto que o levou à Forbes e consolidou seu nome como um dos jovens brasileiros mais promissores da nova geração.





