O número de mortes registradas durante os protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei, no Irã, continua a crescer e já supera a marca de 3.400 pessoas.
A atualização foi divulgada nesta quarta-feira (14) pela organização Direitos Humanos no Irã (IHR, na sigla em inglês), entidade com sede na Noruega que acompanha a situação por meio de fontes dentro do país.
Segundo o levantamento mais recente, ao menos 3.428 pessoas morreram entre os dias 8 e 12 de janeiro. Desse total, 3.379 seriam manifestantes.
Os dados, de acordo com a ONG, foram obtidos junto a fontes do Ministério da Saúde iraniano. Ainda assim, organizações de direitos humanos alertam que o número real pode ser maior.
Dificuldades de apuração
A coleta de informações tem sido prejudicada por restrições impostas pelo governo iraniano. O bloqueio à internet no país dificulta o contato com testemunhas e a checagem independente dos relatos.
Mesmo assim, ONGs, agências internacionais e veículos de imprensa têm reunido depoimentos que apontam para o uso intenso da força pelas autoridades de segurança.
Relatos colhidos por essas organizações indicam episódios de repressão severa durante as manifestações, que se espalharam por diversas regiões do país e ganharam intensidade nos últimos dias. Além das mortes, o número de prisões também chama atenção.
Prisões em massa e resposta do regime
De acordo com a ONG norte-americana HRANA, mais de 18 mil manifestantes foram detidos desde o início dos protestos. O Judiciário iraniano afirmou que dará prioridade a julgamentos rápidos dos presos, medida que vem sendo criticada por entidades internacionais, que questionam a falta de garantias legais.
A IHR informou ainda que um dos manifestantes detidos deve ser executado nesta quarta-feira. Especialistas ouvidos por organizações de direitos humanos avaliam que a ação teria caráter simbólico, como forma de intimidação diante da continuidade dos protestos.
Tensão com os Estados Unidos
A crise interna no Irã também elevou a tensão no cenário internacional. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país “pagará um preço muito alto” caso avance com execuções de manifestantes. Ele também declarou que avalia opções militares, o que aumentou as especulações sobre uma possível intervenção.
Em resposta, o governo iraniano denunciou os Estados Unidos à Organização das Nações Unidas, acusando Washington de tentar criar um pretexto para uma mudança de regime. Autoridades de Teerã afirmaram que reagirão militarmente caso o país seja atacado.
Clima de instabilidade
Segundo a agência Reuters, os Estados Unidos já iniciaram a evacuação de soldados de algumas bases no Oriente Médio. Do lado iraniano, um oficial de alto escalão declarou que bases norte-americanas na região seriam alvo de ataques em caso de bombardeio.
Enquanto isso, os protestos seguem e o número de vítimas continua a crescer, ampliando a pressão internacional sobre o governo iraniano e aprofundando um dos momentos mais delicados do país nos últimos anos.





