A forma como os registros civis são emitidos está passando por uma grande transformação em um dos países mais tradicionais da Europa. O governo italiano anunciou uma mudança que promete eliminar de vez o uso de documentos em papel, substituindo-os por versões totalmente digitais. Essa decisão representa um passo importante para modernizar os serviços públicos e facilitar a vida dos cidadãos.
Com a novidade, o processo de emissão de certidões passa a ser feito de maneira totalmente online, sem a necessidade de impressões, assinaturas manuais ou arquivos físicos. O modelo tem como objetivo tornar os trâmites mais rápidos, seguros e transparentes, marcando o início de uma nova fase na administração pública.
Itália dá adeus às certidões em papel
A Itália iniciou oficialmente a substituição definitiva dos registros civis em papel por documentos digitais. A mudança vale para certidões de nascimento, casamento, óbito e cidadania italiana. Todo o processo agora faz parte do Arquivo Nacional Informatizado dos Registros do Estado Civil (Ansc), uma plataforma desenvolvida pelo Ministério do Interior em parceria com a empresa pública Sogei.
O sistema começou a funcionar de forma completa em novembro, na cidade de Pordenone, localizada na região de Friuli Venezia Giulia. Desde então, todos os registros civis do município são feitos de maneira digital, desde a redação e assinatura até o armazenamento. Isso significa que não há mais impressão ou necessidade de digitalizar documentos físicos, eliminando etapas que antes levavam tempo e aumentavam o risco de erros.
O primeiro registro feito totalmente dentro do sistema digital foi o de um casamento, seguido de um nascimento e da transcrição de cidadania por naturalização. Todos esses atos foram assinados digitalmente pelos envolvidos e pelos oficiais do registro civil. Além de agilizar o processo, a mudança também garante mais segurança jurídica e facilita o acesso aos documentos.
A digitalização faz parte de um plano mais amplo do governo italiano para modernizar os serviços públicos e reduzir custos operacionais. A assinatura dos documentos pode ser feita por meio do SPID (Sistema Público de Identidade Digital) ou com o cartão de identidade eletrônico, que já é utilizado por boa parte da população. Em casos excepcionais, ainda é possível assinar manualmente.
Modernização e impactos diretos na vida dos cidadãos
O projeto conta com o apoio do Ministério do Interior e do Departamento de Transformação Digital da Presidência do Conselho de Ministros. Segundo as autoridades italianas, o novo sistema deve diminuir o tempo de tramitação de documentos e eliminar boa parte da burocracia que ainda existia nos cartórios. Além disso, a digitalização evita retrabalhos, minimiza erros e reduz o desperdício de papel.
Outras cidades, como Ascoli Piceno, já aderiram à plataforma e também encerraram o uso das certidões em papel. Isso marca o fim de uma era de mais de 150 anos, já que os registros físicos vinham sendo utilizados desde 1866. Para o governo, a iniciativa não representa apenas uma modernização tecnológica, mas também uma mudança cultural que deve transformar a forma como os italianos lidam com a documentação civil.
A medida está alinhada ao Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (PNRR), que busca tornar a administração pública italiana mais eficiente e adaptada às novas tecnologias. Em apenas quatro meses desde a implantação do sistema Ansc, mais da metade dos municípios do país já aderiu à digitalização completa dos registros.
Além de tornar os serviços mais acessíveis e rápidos para os cidadãos que vivem na Itália, a novidade também beneficia os descendentes de italianos no exterior, que muitas vezes enfrentavam longas esperas para obter certidões e transcrições de documentos. Agora, com tudo integrado ao sistema nacional, o processo promete ser mais ágil e seguro.





