No dia 15 de fevereiro, o gaúcho Guilherme Martin começa uma jornada pouco comum. Gremista declarado e criador do perfil “Até de Fusca Nós Iremos”, ele decidiu atravessar o continente a bordo de um Fusca para assistir à Copa do Mundo nos Estados Unidos. A viagem combina longas distâncias, improviso e uma dose alta de paixão pelo futebol.
O ponto de partida será Porto Alegre. De lá, Guilherme segue pelo oeste de Santa Catarina até cruzar a fronteira com a Argentina. O roteiro internacional continua pelo Chile, onde está previsto um dos trechos mais exigentes da viagem: a travessia do Deserto do Atacama.
Rota longa e desafios pelo caminho
Depois do Chile, o Fusca encara estradas no Peru, Equador e Colômbia, com destino final terrestre em Cartagena. Nesse ponto, a jornada muda de formato. Como não há ligação rodoviária até o Panamá, o carro será embarcado em um contêiner e seguirá de navio até a América Central. Guilherme fará esse trecho de avião e reencontrará o Fusca no porto para continuar a viagem.
A partir daí, os planos ficam mais flexíveis. Se chegar com antecedência à abertura da Copa, marcada para 11 de junho, a ideia é permanecer em Miami, onde ele tem amigos. Caso o cronograma fique apertado, o plano é seguir direto de carro até Nova York para acompanhar a estreia da Seleção Brasileira. México e Canadá também estão no trajeto previsto.
Preparação para imprevistos
A saída antecipada não é por acaso. Guilherme sabe que uma viagem desse porte envolve riscos, especialmente em um carro antigo. A previsão é chegar ao destino final no início de maio, desde que não surjam problemas graves pelo caminho.
Para enfrentar a estrada, o Fusca foi adaptado. O veículo leva estepe, ferramentas, kit de reparo de pneus, primeiros socorros, mantimentos e roupas. O banco do passageiro foi retirado para dar lugar a uma cama improvisada, e uma barraca também faz parte do equipamento.
Paradas planejadas e cautela
Nem sempre será possível parar em qualquer lugar. Em alguns trechos, a segurança é uma preocupação. Por isso, Guilherme pretende priorizar postos de gasolina e áreas próprias para camping. Quando possível, pousadas e hostels entram como alternativa para descanso.
Essa não é a primeira aventura do gaúcho sobre quatro rodas. Em 2024, ele cruzou fronteiras para chegar a La Paz, na Bolívia, também de Fusca, para acompanhar o Grêmio. Foram oito dias de estrada, com travessia de deserto e passagem por regiões acima dos 4 mil metros de altitude, onde o carro sofreu com a perda de potência.
Mais recentemente, Guilherme percorreu cerca de 1,6 mil quilômetros até o Rio de Janeiro para assistir ao Grêmio no Maracanã. Agora, o desafio é ainda maior, com um destino que vai muito além das arquibancadas brasileiras.





