Viajar para os Estados Unidos pode ficar mais complicado nos próximos meses. O governo norte-americano anunciou um novo conjunto de regras que promete alterar o processo de autorização de entrada no país, especialmente para quem tenta ingressar com isenção de visto. As medidas fazem parte de um plano mais amplo de reforço à segurança de fronteiras e controle de visitantes.
A proposta foi divulgada oficialmente pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) e pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) no Federal Register, o diário oficial dos EUA. Embora ainda esteja em fase de consulta pública, a ideia já causa preocupação entre especialistas e turistas, inclusive brasileiros, que podem ser impactados pelas novas exigências em caso de avanço nas negociações diplomáticas para a inclusão do Brasil no programa de isenção de visto.
O que muda nas regras de entrada nos Estados Unidos
O novo conjunto de exigências amplia o nível de detalhamento das informações que os viajantes precisarão fornecer antes de entrar no país. O foco é o ESTA (Electronic System for Travel Authorization), sistema usado por cidadãos de 42 países que podem viajar aos EUA por até 90 dias sem visto. O Brasil, embora ainda não faça parte do programa, acompanha de perto as discussões, já que o tema está em negociação há anos entre os dois governos.
De acordo com a proposta, o processo de autorização de viagem passará a exigir dados mais pessoais e históricos digitais de cada visitante. A lista de informações obrigatórias inclui:
- Histórico completo de redes sociais utilizadas nos últimos cinco anos.
- Telefones e e-mails registrados nesse mesmo período.
- Dados de familiares próximos, como nomes, endereços e locais de nascimento.
Atualmente, o formulário do ESTA já solicita informações básicas, como número do passaporte, data de nascimento e antecedentes criminais. Desde 2016, existe também um campo opcional para incluir perfis em redes sociais, que agora passaria a ser obrigatório.
Segundo o governo americano, o objetivo é reforçar a segurança nacional e identificar possíveis ameaças antes que os viajantes cheguem ao país. O histórico digital seria analisado junto com outros dados pessoais para detectar comportamentos suspeitos, conexões com atividades ilegais ou discursos extremistas.
Além disso, a medida faz parte de uma política mais ampla de fortalecimento das fronteiras, apoiada pela atual administração americana. O governo defende que o controle rigoroso é essencial para garantir que apenas pessoas consideradas seguras possam entrar no território dos Estados Unidos.
Repercussões e possíveis impactos da medida
A proposta tem gerado debates dentro e fora dos Estados Unidos. Especialistas em privacidade e direitos digitais alertam que o nível de detalhamento exigido pode invadir a vida pessoal dos viajantes e representar um risco à liberdade de expressão nas redes sociais. Há receio de que publicações antigas ou opiniões políticas sejam interpretadas fora de contexto e prejudiquem o processo de autorização.
Outro ponto levantado por analistas é o impacto que a medida pode ter no turismo. O aumento da burocracia e a coleta de dados sensíveis podem desestimular visitantes, principalmente em um momento em que o país se prepara para sediar grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2026 e os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.
Por outro lado, o governo americano argumenta que as novas exigências são uma resposta à necessidade de atualização tecnológica e de segurança em tempos de grande circulação internacional. Com o crescimento das viagens e o uso massivo das redes sociais, as autoridades acreditam que o monitoramento digital é uma ferramenta eficaz para detectar potenciais riscos.
A proposta ainda passará por um período de avaliação e consulta pública, o que significa que ajustes podem ser feitos antes da aprovação final. Caso entre em vigor, ela representará uma das maiores mudanças no sistema de autorização de entrada nos Estados Unidos nas últimas décadas, influenciando diretamente o processo para futuros turistas brasileiros e de outras nacionalidades.




