Eike Batista volta a ocupar o noticiário com a tentativa de reconstruir a própria história. Após ver seu conglomerado desmoronar e enfrentar a perda quase total da fortuna que já o colocou entre os mais ricos do planeta, o empresário tenta recuperar espaço com novos projetos e uma exposição calculada.
Nos últimos anos, ele alternou entre polêmicas, prisões e tentativas de voltar ao jogo. E, agora, aposta numa estratégia que mistura inovação, networking e a exploração da própria biografia.
O empresário, que em outros tempos exibia US$ 30 bilhões estimados pela Forbes, vem tentando se apresentar novamente como um caçador de oportunidades. Durante o Painel GCB, em São Paulo, Eike voltou a afirmar que nunca foi um aventureiro.
Disse que sempre buscou investimentos com margens altas e possibilidade de retorno múltiplo. Não faltaram exemplos. Citou, por exemplo, o caso de uma mina no Chile que comprou por US$ 30 milhões e vendeu por US$ 100 milhões.
A virada começa em um final de semana
Apesar do histórico conturbado, Eike surpreendeu o mercado ao faturar R$ 1 milhão em apenas três dias. O valor veio da segunda edição do Eike Xperience, uma imersão voltada para empresários que querem escalar seus negócios.
Foram 20 participantes, cada um pagando R$ 50 mil. A experiência incluiu refeições, encontros privados e até deslocamento de helicóptero até a mansão do empresário em Angra dos Reis. O roteiro passou por um jantar no Mr. Lam, encontros em casas reservadas e conversas em uma clínica na Barra da Tijuca.
O evento, criado originalmente em 2024, ajuda a reforçar a imagem que Eike tenta recuperar: a de alguém capaz de ensinar atalhos financeiros, abrir caminhos na Bolsa e orientar novos empreendedores. Ele não perde a chance de lembrar os tempos em que figurava entre os mais ricos do mundo, argumento que ainda atrai curiosos.
Enquanto isso, o empresário tenta emplacar projetos considerados ousados. Entre eles, a supercana, capaz de gerar mais bagaço por hectare e servir de base para fibras e embalagens biodegradáveis.
Há ainda o plano de construir um porto em Peruíbe para operar com supernavios chineses e uma mineradora de rejeitos. A aposta é mostrar que ainda consegue identificar tendências que o mercado não enxerga.
Eike insiste que não toma riscos irracionais. Afirma que estuda profundamente cada passo e que seu foco é encontrar oportunidades com grande margem de ganho. A tentativa agora é emplacar essa narrativa num ambiente em que seu nome segue cercado de desconfiança. Depois da derrocada da OGX e das passagens pela Lava Jato, ele tenta provar que ainda tem espaço no capitalismo brasileiro — e que pode, de novo, transformar crises em fortuna.





