Uma falha na rede elétrica deixou milhares de pessoas sem energia na região leste de Cuba, mergulhando três províncias inteiras na escuridão desde a noite desta quarta-feira (4). Segundo informações do portal G1 e da agência AFP, o incidente afetou as províncias de Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo, além de atingir parcialmente a área de Holguín.
A estatal União Elétrica de Cuba (UNE) informou que o problema teve origem em uma falha técnica registrada na subestação Holguín 220 kV, às 20h54. De acordo com o canal estatal Canal Caribe, a avaria provocou a desconexão total do sistema elétrico na parte oriental da ilha.
O leste de Cuba concentra algumas das principais cidades fora da capital Havana e abriga uma parcela significativa da população do país. A região depende fortemente de um sistema elétrico regional integrado, o que faz com que falhas estruturais provoquem impactos amplos e imediatos no cotidiano da população.
A cidade de Santiago de Cuba, a segunda maior do país, com mais de 400 mil habitantes, foi uma das mais impactadas. Em entrevista à AFP, uma moradora relatou que o fornecimento de energia foi interrompido ainda no fim da tarde. A frequência de cortes no serviço fez com que parte da população confundisse o apagão com as interrupções rotineiras que já fazem parte da rotina local.
Crise energética e tensão diplomática
O sistema elétrico cubano enfrenta um processo de deterioração estrutural. Conforme análises publicadas pelo UOL, a situação é agravada por décadas de embargo econômico imposto pelos Estados Unidos e pela falta de manutenção das usinas, construídas majoritariamente entre as décadas de 1980 e 1990. O cenário se agravou em meio a declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a possibilidade de interromper o fornecimento de petróleo subsidiado da Venezuela, insumo essencial para a geração de energia no país.
Washington sustenta as sanções com o argumento de uma “ameaça excepcional” à segurança nacional. Já o governo cubano acusa os Estados Unidos de tentar asfixiar a economia da ilha. O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernandez de Cossio, afirmou que não houve diálogo efetivo entre os dois países, rebatendo declarações do presidente norte-americano sobre possíveis negociações.
Dados compilados pela AFP indicam que Cuba gerou apenas cerca de metade da eletricidade necessária para atender à demanda interna no último ano. O cenário tem chamado a atenção da comunidade internacional. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou para o risco de agravamento da situação humanitária, enquanto a presidente do México, Claudia Sheinbaum, manifestou a intenção de enviar apoio para ajudar a mitigar os efeitos da crise energética.





