Em meio a paisagens rurais e áreas verdes preservadas, um município do interior do Rio Grande do Sul ganhou projeção nacional por um motivo inusitado: a convivência diária com centenas de capivaras. Os animais circulam livremente, dividem espaço com moradores e visitantes e transformaram o local em um ponto turístico fora do roteiro tradicional.
A cena, comum para quem vive na região, costuma surpreender quem chega pela primeira vez. Grupos de capivaras descansam à beira de lagoas, caminham tranquilamente por áreas abertas e interagem de forma pacífica com as pessoas. O comportamento dócil dos animais reforça a fama da cidade como um destino voltado ao contato direto com a natureza.
Interior gaúcho virou referência pela convivência com os animais
O principal exemplo está em São Pedro do Butiá, na região das Missões. O município abriga o Sítio das Capivaras, espaço que se consolidou como atração turística e recebe visitantes de diferentes partes do estado e do país. Localizado próximo ao centro da cidade, o sítio reúne mais de 100 capivaras vivendo em liberdade.
No local, não há cercas separando os animais do público. As capivaras se aproximam espontaneamente, circulam pelas áreas comuns e convivem de forma tranquila com os visitantes. O ambiente favorece passeios em família, sessões de fotos e momentos de lazer ao ar livre, sempre com orientação para respeitar o espaço dos animais.
Além das capivaras, o sítio oferece lagoa, áreas gramadas, churrasqueiras e presença constante de aves silvestres. A proposta é simples: proporcionar uma experiência de contato com a fauna local sem interferir na rotina dos animais.
A relação entre humanos e capivaras não se limita ao interior. Em Porto Alegre, a capital gaúcha, os animais já fazem parte do cotidiano em algumas regiões. Nas margens do Arroio Dilúvio, especialmente em trechos próximos ao centro, é comum ver grupos descansando ou atravessando áreas urbanas.
A presença frequente transformou as capivaras em figuras conhecidas da cidade. Moradores se acostumaram a dividir o espaço com os animais, enquanto visitantes costumam parar para observar e registrar as cenas. Apesar disso, órgãos ambientais reforçam a importância de manter distância e evitar qualquer tipo de alimentação ou contato inadequado.
Nome de cidade reforça vínculo histórico
Outro município que evidencia essa relação é Capivari do Sul. O próprio nome tem origem no Tupi-Guarani e significa “capivara”, uma referência direta à presença histórica do animal na região. O significado ajuda a entender como esses roedores sempre fizeram parte da paisagem local.
Juntos, exemplos do interior e da capital mostram como o Rio Grande do Sul se destaca pela convivência relativamente harmoniosa entre população e capivaras. Mais do que curiosidade, o fenômeno virou elemento cultural e turístico, atraindo olhares para um tipo de atração que dispensa grandes estruturas e se apoia, sobretudo, na natureza.




