O calor extremo tem imposto uma rotina cada vez mais difícil aos moradores do Rio de Janeiro. Nas últimas semanas, temperaturas elevadas alteraram hábitos, prejudicaram o descanso e escancararam problemas antigos de infraestrutura, como falhas no fornecimento de energia elétrica e de água.
Em diferentes regiões do estado, o desconforto térmico deixou de ser pontual e passou a ditar o dia a dia da população.
Na segunda-feira (12), o Rio concentrou nove das dez cidades mais quentes do país. Na capital, os termômetros se aproximaram dos 36 °C, cenário que se repetiu na terça-feira (13).
O calor persistente afetou o sono, a produtividade e até a permanência dentro de casa, segundo relatos de moradores.
Noites sem descanso
No Méier, Zona Norte da capital, a combinação de calor intenso e falta de energia elétrica levou moradores a improvisar. Marcello Barreto, operador de áudio, contou que passou parte da madrugada dormindo no terraço de casa.
Sem ventilador ou ar-condicionado, a alternativa foi estender um tapete no telhado para tentar aliviar o calor. A energia só foi restabelecida por volta das 4h30. Mesmo assim, o descanso foi comprometido. Para suportar a temperatura durante a madrugada, ele relata que chegou a se molhar com mangueira antes de tentar dormir novamente.
A situação também impactou a família. O filho de cinco anos precisou ir para a casa da avó, em busca de um ambiente mais fresco. Segundo o morador, quedas de luz têm sido frequentes nos dias mais quentes, sem explicações claras.
Falta de água agrava cenário
Na Baixada Fluminense, o problema se repete. Em Austin, bairro de Nova Iguaçu, moradores relatam que o calor excessivo torna a permanência dentro de casa quase insuportável. Sem alternativas, alguns passaram a dormir em varandas ou áreas externas.
Na Zona Oeste do Rio, em Santa Cruz, a situação é ainda mais crítica. Moradores da Rua Justino de Assis afirmam estar há vários dias sem abastecimento regular de água.
O pouco que chega ocorre durante a madrugada, obrigando famílias a acordar de madrugada para encher caixas d’água. Durante o dia, o fornecimento é inexistente, o que dificulta até tarefas básicas.
No Complexo do Alemão, na Zona Norte, o cenário não é diferente. Comunidades da região enfrentam problemas recorrentes de abastecimento desde o início do ano.
A falta de água, somada às quedas de energia, leva moradores a permanecerem nas ruas para tentar escapar do calor.
Respostas das concessionárias
Procurada, a Rio+Saneamento informou que enviou equipes para identificar as causas da falta d’água em Santa Cruz e regularizar o serviço. A concessionária destacou que o consumo elevado em períodos de calor pode gerar instabilidades no abastecimento.
Já a Águas do Rio afirmou que a redução na produção do Sistema Guandu, operado pela Cedae, impactou o fornecimento em diferentes regiões da cidade.
Segundo a empresa, equipes técnicas devem atuar para verificar ocorrências pontuais nas áreas afetadas.
Enquanto as temperaturas seguem elevadas, moradores continuam buscando soluções improvisadas para enfrentar noites mal dormidas e dias marcados pelo calor extremo.




