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Máquinas que formam unidade com o corpo

A Profa. Dra. Michelle Rabelo escreve artigo exclusivo para O POVO Tecnologia em que aborda pesquisa relativa a Dispositivos Assistidos por Eletroestimulação - FES Assisted Devices.
12:18 | Set. 21, 2021
Autor Hamilton Nogueira
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Tipo Notícia

 

por Michelle Rabelo, Doutora em Tecnologias em Saúde - UnB

Com o passar dos anos, esperam-se cada vez mais mudanças positivas relacionadas à assistência da população e ao acesso a saúde. À medida em que os anos passam e a tecnologia na saúde evolui, as pessoas almejam melhora na qualidade de vida e consequentemente viverem por mais tempo.

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Para pessoas com deficiência, essa melhora na qualidade de vida vem conjuntamente com a melhora da independência, autonomia e inclusão social. Segundo o Censo Demográfico de 2010, cerca de 7% da população brasileira apresenta alguma dificuldade de locomoção.

Das várias profissões na saúde que podem auxiliar nesse processo, a Fisioterapia se alia à outras áreas inovadoras para fins de garantir esse objetivo. Um exemplo dessa inovação é o estudo da Power Trike, equipamento que permite ao paciente movimentar membros antes completamente inativos.

Elaborado no conceito de máquinas que formam unidade com o corpo, esse triciclo possui um sistema híbrido que alia ferramentas diagnósticas, terapêuticas, assistivas e de longa duração, utilizando a eletroestimulação funcional para mover os membros paralisados por meio de eletrodos que permitem as contrações musculares, gerando movimentos cíclicos e possibilidade de deslocamento.

As pesquisas iniciaram em 2018 quando pesquisadores da Universidade de Brasilia-UnB, por meio do Núcleo de Tecnologias Assistivas, Acessibilidade e Inovação da Universidade (NTAAI), e a Visuri (empresa privada que faz pesquisa e desenvolvimento de tecnologia na área médica), iniciaram em conjunto o desenvolvimento do sistema. Os atendimentos são oferecidos na NTAAI - UnB em parceria com a Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe - DF). No Ceará, esse projeto acontece através do curso de Fisioterapia da Universidade Federal do Ceará - UFC por meio do Hemitec, braço de pesquisa do NTAAI em Fortaleza.

Em janeiro deste ano, o projeto foi aprovado pela Finep - Financiadora de estudos e projetos, que garante a continuidade das pesquisas e do triciclo híbrido. Segundo o prof Henrique Martins, professor do departamento de Engenharia elétrica da UFMG, a expectativa é que, ao final do projeto, em até três anos de pesquisas, seja possível entregar um produto de qualidade, eficiente e acessível.

O objetivo é também incorporar a Power Trike ao mercado e à tabela de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção concedidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Com isso, buscamos desenvolver um sistema com um conjunto de serviços inovadores para diagnóstico, intervenção profilática e terapêutica, bem como assistência de longa permanência.

Sendo assim os serviços serão desenvolvidos no Ceará também para atendimento à população com deficiência tipo hemiplegia decorrente de um AVC – Acidente Vascular Cerebral.

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