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Quem será alvo de roubo de dados no segundo semestre

Políticos, executivos e poder judiciário serão maiores alvos de roubo de dados no segundo semestre. Especialista afirma que haverá um aumento significativo no monitoramento e extração de informações de smartphones

07:00 | 01/06/2021
Augusto Schmoisman, CEO da Citadel Brasil (Foto: Divulgação)
Augusto Schmoisman, CEO da Citadel Brasil (Foto: Divulgação)

"Uma nova tempestade se aproxima para as empresas e poder judiciário ao lidar com ataques cibernéticos. E, com ela, surgirão mudanças na perspectiva de como se proteger, além de lidar com as consequências de um desastroso vazamento de informações", é o que afirma Augusto Schmoisman, especialista em defesa cibernética e CEO da Citadel Brasil. Segundos dados divulgados, em 2020, foram registrados mais de 8,4 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos no Brasil, de um total de 41 bilhões em toda a América Latina e Caribe.

"A partir do segundo semestre e, principalmente, ao longo do próximo ano, veremos um grande crescimento no monitoramento e extração de dados de smartphones, principalmente de altos executivos, poder judiciário, políticos e jovens", diz Augusto.

O especialista acredita que os ataques aumentarão porque o Brasil desconhece de medidas de proteção e segurança para celulares, que se tornaram uma máquina de espionagem remota poderosa para um hacker habilidoso. "Além da criptografia, existem os sistemas de telefonia blindada, em que o dispositivo móvel passa por um processo de blindagem que não permite a extração de informações. Se o aparelho não pode ser interceptado por um malware, ele não fica vulnerável a esses tipos de ataques que visam pegar as chaves para descriptografar mensagens e ligações encriptadas".

Augusto afirma que, como todas as chaves, logins de acesso e senhas são salvos de forma automática, os criminosos podem acessar essas informações, além de abrir o microfone e a câmera do celular da vítima, possibilitando ver e ouvir toda a sua rotina, inclusive reuniões sigilosas.

Mesmo que a blindagem seja menos acessível, pois o aparelho móvel passa por um processo mais caro devido as licenças necessárias, há outra forma de protege-lo por meio de algum sistema que não tenha chaves salvas no telefone. Mas, ainda sim, isso não é 100% seguro. "Se o celular for infectado por um malware, é possível gravar a tela e visualizar o código que está sendo digitado", diz.

Caso a empresa decida por investir na proteção dos aparelhos da companhia com a blindagem e criptografia, se o executivo ou até mesmo uma pessoa de cargo político fizer uma ligação ou trocar mensagens com alguém que não tenha o mesmo sistema de segurança, as conversas podem ser hackeadas. "A forma 100% segura é que os dois aparelhos em ligação ou troca de mensagens sejam encriptados pelo mesmo sistema e que não sejam vulneráveis a malware por meio da blindagem. Se não for possível realizar a blindagem, ter uma ligação encriptada diminui bastante os riscos, mas não é totalmente seguro", complementa.

"Os riscos de ataques cibernéticos são proporcionais à exposição, importância e valor da empresa, do empresário como pessoa física e, até mesmo, do político", finaliza o especialista.

Sobre o Augusto Schmoisman


Com mais de 20 anos de experiência, Augusto Schmoisman é especialista em defesa cibernética corporativa, militar, aeroespacial e CEO da Citadel Brasil, responsável pela mais alta e sofisticada tecnologia 360 graus em segurança cibernética.

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