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NOTÍCIA

Projeto reporta anúncios de empresas publicados em sites que disseminam material noticioso fraudado

Sleeping Giants Brasil é inspirado em iniciativa similar dos Estados Unidos. Aqui, mais de 20 empresas já removeram a publicidade em três dias de atuação

Bemfica de Oliva
20:19 | 21/05/2020
Projeto é inspirado em iniciativa similar nos Estados Unidos, que já retirou centenas de anunciantes de sites com notícias falsas e discurso de ódio (Foto: Reprodução/Twitter)
Projeto é inspirado em iniciativa similar nos Estados Unidos, que já retirou centenas de anunciantes de sites com notícias falsas e discurso de ódio (Foto: Reprodução/Twitter)

Atualizado às 23h30min

Perfis em redes sociais estão "denunciando" a diversas empresas que anúncios de seus produtos e serviços vêm sendo veiculados em sites de informações fraudadas — conhecidas como "fake news". A iniciativa, chamada de "Sleeping Giants Brasil", se inspirou em projeto similar que atua nos Estados Unidos desde 2016.

O perfil foi criado na segunda-feira, 18, e já angaria mais de 140 mil seguidores no Twitter, até a noite desta quinta-feira, 21. Pelo menos 24 marcas já responderam à administração da iniciativa informando que cancelarão os anúncios apontados pela "Sleeping Giants". Por enquanto, a ação está focada apenas em um site, que, segundo a ferramenta SimilarWeb, teve 34 milhões de acessos somente em abril.

Uma dessas empresas foi o Banco do Brasil, que informou ter retirado os anúncios e bloqueado o site para exibição de sua publicidade. Na mensagem, a empresa informou repudiar "qualquer disseminação de fake news".


O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), e o secretário de comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, criticaram a decisão. Para Carlos, o banco "pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas" — como ele denominou informações fraudadas em defesa do próprio pai. Wajngarten, por sua vez, citou a "importância do jornalismo independente", e disse que está "contornando a situação".

No mesmo dia, o bancou voltou a exibir anúncios no site. A área técnica do banco, onde o filho do vice-presidente Hamilton Mourão, Antônio Mourão, ocupa cargo comissionado, considerou "excessivo" o bloqueio da publicidade. A informação é dos jornalistas Mariana Carneiro e Guilherme Seto, da Folha de S. Paulo.

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Sites de informações fraudadas têm sido um problema constante na internet nos últimos tempos. Embora portais que propagam desinformação existam há anos, recentemente a quantidade e alcance deles se ampliou a ponto de concorrer com veículos de comunicação legítimos.

Assim como muitos dos sites de notícias, tais locais utilizam publicidade para gerar receita, contando com plataformas como o Google AdSense, que exibe anúncios de acordo com o perfil do usuário que está acessando — não necessariamente relacionados ao conteúdo do site.

Neste tipo de publicidade, a empresa anunciante não sabe necessariamente em que sites suas propagandas aparecem, embora tenha a opção de não veicular em portais sobre determinados assuntos, ou bloquear sites específicos. 

Graças ao financiamento via Google, vários veiculadores de material fraudado angariam dinheiro de empresas que sequer têm consciência de que estão tendo seus produtos e serviços vinculados a esse tipo de publicação.

Nos Estados Unidos, o publicitário Matt Rivitz criou em novembro de 2016 o perfil Sleeping Giants, denunciando a centenas de empresas que seus anúncios apareciam em sites que propagam desinformação e discurso de ódio, principalmente os ligados ao discurso de "história alternativa" de ultraconservadores. O jornal espanhol El País o classificou como "o homem que arruinou a extrema direita nos EUA".

Com apenas três dias de atuação no perfil, a versão brasileira do projeto já conseguiu chamar a atenção de anunciantes de porte nacional e internacional, como Dell e Phillips. Embora esteja concentrado em apenas um site — considerado o maior do ramo no País —, a Sleeping Giants Brasil informa, em documento disponível em perfil do Instagram, que "em breve também outros" passarão por tratamento similar.

O POVO optou por não indicar o site investigado para não estimular a propagação de material noticioso fraudado.