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Cientistas identificam larva capaz de comer plástico e buscam forma de solucionar problema do lixo

16:25 | 26/04/2017
Larva da traça grande da cera com buracos no plástico que ela está sobre.
Larva da traça grande da cera com buracos no plástico que ela está sobre.

[FOTO1]Foi identificado nessa semana que a larva da traça grande da cera, também conhecida como a traça do favo de mel, pode comer plástico, mais especificamente os feitos com o polímero polietileno - que, junto com o polipropileno com o qual tem relações próximas, está presente nos plásticos mais encontrados no lixo do mundo todo, por exemplo, sacolas plásticas.

 

Os pesquisadores da Universidade de Cambridge (Inglaterra) e do Conselho Superior de Investigações Científicas (Espanha) também verificaram que 100 dessas larvas consegue ingerir 92 miligramas de polietileno em 12 horas. Ou seja, cada animal consome cerca de dois miligramas por dia. Isso foi descoberto quando estava sendo removido uma infestação dessas larvas e, dopois de colocá-las em um saco plástico, elas abriram buracos através dela, comendo a sacola e saindo lá de dentro.

 

No entanto, apesar de promissor, isso não deverá significar uma solução real para o problema do acumulo de plástico nos lixos do mundo. Isso se deve ao risco de esses animais prejudicarem a população de abelhas no mundo, pois a traça da grande cera se alimenta da cera de colmeias, o que poderia prejudicar a polinização de várias plantas e o efeito em cadeia seria, no mínimo, problemático.

 

Seria necessária uma enorme reprodução desses insetos, pois somente com bilhões de larvas desse tipo de traça poderiam conseguir dar conta da quantidade de lixo plástico no planeta. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, só nos oceanos vão parar mais de oito toneladas de plástico. Mesmo em ambiente controlado, seria arriscado e essa solução está longe do ideal.

 

Então, para não estimular a reprodução desse tipo de traça que se alimenta de cera e que todo ano causa cerca de três milhões e oitocentos mil reais de prejuízo só nos Estados Unidos da América, começa a se penar que outras soluções poderiam vir dessa descoberta. Primeiro é importante observar que cera e polietileno são quimicamente semelhantes, é por isso que essas larvas conseguem biodegradar esses materiais. Idealmente, esses plásticos deveriam ter uma forma de passar por um processo reverso a partir de catalisadores que realizassem uma reação que transformassem o plástico de volta em óleo.

 

Recuperando assim a matéria prima. Só que os cientistas apenas muito recentemente começaram a ver algum progresso no uso dessa técnica.

Outra possibilidade é que os cientistas podem encontrar uma bactéria que possa "comer" esse plástico, afinal, já existem aquelas que "devoram" químicos tóxicos ou lixo radioativo. Em 2016 houve um time de cientistas japoneses que identificaram uma bactéria selvagem que consegue se alimentar de outro tipo comum de plástico, o Politereftalato de etileno, com que é feito as garrafas PET.

 

É possível que exista uma bactéria no trato digestivo da larva da traça que possibilita a ela processar esses plásticos. As bactérias seriam uma solução muito menos arriscada de criar e reproduzir para este fim. Também poderiam ser usadas diretamente as enzimas desses insetos responsáveis pela digestão e fazer um concentrado de sucos gástricos para se livrar do Polietileno e "quebrar" o plástico.

 

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