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Brasileiros desenvolvem protótipo que barateia exame de retina pelo celular

Um dos autores do projeto, o engenheiro de computação José Augusto, conversou com O POVO Online sobre o trabalho, que será apresentado na Alemanha em novembro

20:50 | 03/10/2016
Demonstração do protótipo
Demonstração do protótipo
[FOTO1]Três brasileiros, ex-alunos da Universidade de São Paulo (USP), tiveram a ideia de tornar mais acessível os exames oftomológicos para a população. O projeto, elaborado por José Augusto Stuchi, Flavio Vieira e Diego Lencione, trata-se de uma versão portátil em que as pessoas terão a oportunidade de realizar exames de retinografia por meio dos seus smartphones. E, é claro, que esse trabalho, chamado Smart Rertinal Camera (SRC), ganhou reconhecimento por ter grande impacto socioeconômico. O protótipo foi apresentado no dia 19 de setembro na Falling Walls Lab São Paulo e venceu a etapa nacional.
 
Um dos autores do projeto, o engenheiro de computação José Augusto, vai apresentar o trabalho na Alemanha em novembro próximo. Ele explica que a ideia de desenvolver o protótipo partiu da carência de oftalmologistas em determinadas localidades do País para atender a demanda populacional.’’O Brasil tem uma carência muito grande de médicos oftalmologista, o que implica que muitos brasileiros não tratem doenças, que causam a cegueira, e ficam cegos”, disse em entrevista ao O POVO Online.

Para tornar o aparelho acessível aos atendimentos oftalmológicos, Sturchi, junto com seus colegas, trabalhou na elaboração de um aparelho de baixo custo e de fácil transporte devido ao seu tamanho. “O equipamento convencional custa em torno de 70 a 80 mil dólares. Um aparelho caro. A gente buscou minituarizar, tornando-o portátil”, comentou. Ele disse ao O POVO Online que foi preciso redesenhar o equipamento para que seja acoplado nos smartphones. “O aparelho é acoplado ao celular e foi necessário fazer um novo sistema ótico. E ele não utiliza o flash do smartphone, pois possui um próprio com uma determinada potência para iluminar o fundo do olho e também para atingir um ponto mais específico”, esclareceu.

Outra vantagem é que o aparelho pode realizar diagnósticos em crianças abaixo de cinco anos, já que, com o equipamento convencional, exige concentração que os pequenos não possuem. ’’Diagnosticar desde cedo uma doença possibilita que você previna e trate o paciente para que ele não fique cego. Por ano, 500 mil crianças perdem a visão no mundo e 80% de todos os casos de cegueira do planeta são evitáveis”, disse Stuchi, que realizou o seu mestrado voltado para a área oftalmológica.

Até o momento, o equipamento aguarda a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser comercializado, mas Stuchi busca alternativas no campo acadêmico para que seja testado por profissionais. "A gente não pode dar ao médico sem o selo da Anvisa. Por a nossa Start Up, a Phelcom, está implantada na USP de Ribeirão Preto, estamos aguardando que o protótipo seja aprovado pelo Conselho de Ética do curso de Medicina para que seja utilizado para fins acadêmicos”, afirmou ao O POVO Online.  

Depois dessa etapa nacional, José Augusto Stuchi vai apresentar o aparelho na etapa internacional nos dias 8 e 9 de novembro em Berlim, na Alemanha. Ao perguntar sobre a importância de representar o Brasil em um pólo de inovações tecnológicas, ele ressaltou que o País tem um grande potencial  para desenvolver novas tecnologias de grande impacto socioeconômico. “A gente tem muito disso, que países subdesenvolvidos não têm capacidade para produzir novas tecnologias, mas tem muita gente capaz e há muitas instituições. É claro que o terreno da Alemanha é muito mais fértil, porém o nosso, com todas as dificuldades é um terreno também produtivo e tem mercado”, concluiu.
 
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