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Saúde
NOTÍCIA

Coquetel de anticorpos: primeiro tratamento para ebola é aprovado para adultos e crianças

A FDA, dos Estados Unidos, aprovou o tratamento com anticorpos feitos em laboratório na quarta-feira, 14

Catalina Leite
10:48 | 16/10/2020
O vírus Chapare causa febre hemorrágica, com sintomas similares ao do ebola.  (Foto: OMS/Chris Black)
O vírus Chapare causa febre hemorrágica, com sintomas similares ao do ebola. (Foto: OMS/Chris Black)

O primeiro tratamento para o vírus ebola foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Trata-se de um coquetel de três anticorpos desenvolvidos em laboratório e que pode ser administrado em adultos e em crianças. O medicamento foi nomeado de Inmazeb.

O Inmazeb é composto por três anticorpos que conseguem se conectar a uma glicoproteína do ebola, utilizada para invadir a célula humana. No momento em que os anticorpos simultaneamente “grudam” na glicoproteína do vírus, eles a bloqueiam e impedem que o vírus invada as células.

De acordo com a FDA, o Inmazeb foi avaliado em um ensaio clínico no Congo, país na África central, em 2018 e 2019, durante o segundo maior surto da doença. Na época, outros três tratamentos experimentais foram testados. Durante o ensaio, 33,8% das pessoas tratadas com Inmazeb morreram após 28 dias, em comparação a 51% de mortes de pessoas que receberam um tratamento diferente.

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A agência estadunidense alerta que os pacientes tratados com o medicamento devem evitar a administração simultânea de uma vacina viva. Segundo ela, é possível que o tratamento iniba a replicação de um vírus vacinal (quando a vacina tem partes do vírus vivo para estimular a produção de anticorpos) e, por consequência, reduzir a eficácia da vacina.

Ainda, os sintomas mais comuns relatados durante o tratamento com Inmazeb incluem febre, calafrios, taquicardia e respiração acelerada. Por outro lado, esses também são os sintomas comuns da infecção pelos vírus ebola.

Em nota, o diretor do Escritório de Doenças Infecciosas do Centro de Avaliação e Pesquisa de Medicamentos da FDA, John Farley, afirmou que a aprovação do medicamento destaca “a importância da colaboração internacional na luta contra o vírus ebola”.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) explica, em publicação, que a doença pelo vírus ebola é grave e frequentemente fatal. A taxa de letalidade é cerca de 50%, mas em alguns surtos a letalidade chegou a 90%. O surto mais complexo foi na África Ocidental, entre os anos de 2014 e 2016.

A doença afeta humanos e outros primatas e é transmitido às pessoas por animais selvagens, como morcegos frugívoros, porcos-espinhos e primatas não humanos. Entre os humanos, o ebola se espalha por meio do contato direto com o sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas e com superfícies e materiais contaminados com esses fluidos.