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Em SP, jovem de 21 anos morre engasgada por refluxo; conheça mais sobre a doença e saiba como tratá-la

A condição atinge cerca de 2 milhões de brasileiros no País e é comum em pacientes com idade de Gabrielly: jovem almoçou, deitou e não respondeu mais aos familiares após engasgamento pelo refluxo
13:44 | Set. 02, 2020
Autor Marília Freitas
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Marília Freitas Estagiária do O POVO Online
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Tipo Notícia

Uma jovem de 21 anos morreu engasgada por um refluxo na noite da última segunda-feira, 31, em Jundiaí (SP). Gabrielly Rosa de Medeiros foi para uma possível vaga de emprego e voltou para casa no horário de almoço, quando comeu e foi deitar. Em seguida, a família reparou que a jovem não respondia e o Samu foi acionado, no qual constataram a morte da mulher por engasgamento com o refluxo. As informações são do G1.

A doença atinge cerca de 2 milhões de brasileiros no País e é comum em pacientes com idade de Gabrielly. Apesar de ser de fácil tratamento, o refluxo pode ser um fator de risco para outras doenças caso não seja notificado e tratado. Uma das principais evoluções da condição É o câncer de esôfago - estima-se que 11.390 de novos casos sejam registrados ainda em 2020, de acordo com Instituto Nacional do Câncer (Inca). Um total de 480 deles correspondem ao Ceará.

O refluxo ainda é presente no início da vida de crianças pequenas, em virtude da fragilidade dos tecidos. Esses casos, entretanto, acabam desaparecendo de forma espontânea. A doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é constituído pela volta da comida ou do conteúdo gástrico do estômago para o esôfago, um dos caminhos do alimento no organismo.

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Entre o esôfago e o estômago, existe um esfíncter - estrutura que funciona como uma válvula, abrindo para dar passagem aos alimentos e fechando para impedir o suco gástrico de descer. Quando o músculo se torna enfraquecido e faz com que a comida volte, há a condição do refluxo.

De acordo com o cirurgião digestivo do Centro de Oncologia e Hematologia de Fortaleza (Oncovie), Ramon Rawache, as células da mucosa que reveste a válvula não estão preparadas para o conteúdo ácido e podem gerar consequências. "Os sintomas da azia e da regurgitação são os principais, mas ainda podem acontecer tosses crônicas e rouquidões devido à recorrência da lesão", explica.

Dentre os motivos externos que podem causar o enfraquecimento do músculo, estão o aumento do volume abdominal - a exemplo da gravidez e da obesidade -, o uso de medicações para tratar outras doenças como a hipertensão, tabagismo, cafeína e o consumo de alimentos gordurosos e condimentados. Segundo Rawache, pessoas com alterações anatômicas como a hérnia de hiato também podem desenvolver refluxo.

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Os constantes sintomas podem levar a consequências como a perda da qualidade de vida do paciente. "A pessoa não pode consumir uma refeição, comer chocolate ou tomar socialmente um chopp sem sentir dores", explica o especialista. As complicações mais graves correspondem à doença de Barret: a alteração de células do esôfago para se protegerem da acidez estomacal. Entretanto, a mudança é considerada pré-maligna e há a potencialização de câncer de esôfago ou a formações de úlceras.

O tratamento é sempre o requerimento mais indicado para a doença. Por se tratar de uma condição comum ao brasileiro, as principais intervenções são feitas por medicamentos e mudanças alimentares e nos hábitos diários. Apenas em casos graves é que ocorre a cirurgia. "Os efeitos adversos como o do caso em São Paulo são raros, mas é fundamental que estejamos com os cuidados em dia", destaca.

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Nas unidades públicas de saúde do Estado, o atendimento é realizado em postos de saúde e no Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Há cinco anos, o ambulatório do Serviço de Gastroentereologia do Hospital chegou a atender uma média de 70 pacientes diagnosticados com o refluxo. A indicação é que o tratamento seja buscado quando os sintomas de azia e de sensação da comida 'voltando' sejam constantes. 

CONHEÇA AS PRINCIPAIS RECOMENDAÇÕES, DE ACORDO COM O MINISTÉRIO DA SAÚDE:

- não se automedique se tiver episódios repetidos de azia ou queimação;
procure assistência médica para diagnóstico e tratamento adequados
- evite alimentos e bebidas que causam a volta do conteúdo ao esôfago;
cigarros, chocolates e alimentos gordurosos estão entre eles.
- procure mudar os hábitos de saúde;
a prática de esportes e uma dieta podem ajudar no controle da doença. Todo o procedimento deve ser acompanhado por um especialista.
- não use cintos ou roupas apertadas na região do abdome;
- não se deite logo após as refeições;
- distribua os alimentos em pequenas quantidades por várias refeições: café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar;
- sente-se e coma sem pressa, mastigando bem os alimentos;
- aumente a salivação com gomas de mascar ou balas duras;
a saliva pode aliviar a dor da irritação.
- não ponha o bebê na cama assim que acabar de amamentar;
mantenha-o em pé no colo até que elimine o ar que deglutiu durante a amamentação.

 


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