PUBLICIDADE
Saúde
Noticia

OMS alerta que Brasil é o país com mais casos de pessoas com transtornos de ansiedade no Mundo

Nesta quinta-feira, 10, de outubro, é comemorado o Dia Mundial da Saúde Mental, e a data alerta que 18,6 milhões de brasileiros sofrem com algum transtorno

14:00 | 10/10/2019
O ranking internacional revela que 18,6 milhões de brasileiros sofrem com algum transtorno
O ranking internacional revela que 18,6 milhões de brasileiros sofrem com algum transtorno (Foto: TATIANA FORTES)

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com mais casos de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo. Nesta quinta-feira, 10, Dia Mundial da Saúde Mental, a data traz um alerta para entender e conhecer formas de tratar o problema.

O ranking internacional revela que 18,6 milhões de brasileiros sofrem com algum transtorno. A identificação começa ser feita a partir de 14 anos de idade, mas, na grande maioria dos casos, o problema não é identificado ou tratado.

No Mundo, a depressão é um dos tipos de transtornos mentais mais frequentes. Estima-se que mais 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofrem com a doença. Nesse tipo de caso, as mulheres são mais afetadas que os homens. A depressão gera incapacidade e contribui para o surgimento de outras doenças.

Embora existam tratamentos eficazes contra a doença, menos da metade das pessoas que são afetadas no Mundo (em muitos países, menos de 10%) recebe tais tratamentos. Muitas vezes as pessoas não recebem orientações ou simplesmente abandonam os tratamentos por vários motivos.

Tipos de sintomas

A depressão é resultado de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. A doença pode ser leve, moderada ou grave, e cada pessoa pode sentir diferentes intensidade dos sintomas. Em casos leves, a pessoa poderá ter alguma dificuldade em exercer uma simples atividade social, sem grandes prejuízos. A grave impede que a pessoa afetada não consiga continuar as atividades sociais, no trabalho ou domésticas.

No transtorno depressivo recorrente, a pessoa experimenta um humor deprimido, perda de interesse e prazer e energia reduzida, levando a uma diminuição das atividades em geral por pelo menos duas semanas.

Em casos de transtornos afetivos bipolar, a pessoa passa por diferentes momentos em que os sentimentos podem ser mudados constantemente apresentando episódios de mania que envolvem humor exaltado ou irritado.

Tratamentos 

Inicialmente indica-se a procura de um profissional da saúde. Só ele é capaz de diagnosticar e indicar tratamentos para cada caso. Entre os diferentes tratamentos psicológicos a serem considerados estão os individuais ou em grupo, realizados por profissionais ou terapeutas leigos supervisionados. Os tratamentos psicossociais também são efetivos para depressão leve.

Os antidepressivos podem ser eficazes no caso de depressão moderada-grave, mas não são a primeira linha de tratamento para os casos mais brandos. Esses medicamentos não devem ser usados para tratar depressão em crianças e não são, também, a primeira linha de tratamento para adolescentes. É preciso utilizá-los com cautela.

A psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Rita Calegari, explica como identificar e tratar os transtornos psicológicos

O POVO - Como identificar precocemente os sintomas?

Rita Calegari - Transtornos mentais podem acontecer em crianças, adolescentes, adultos e idosos. Podem estar associados a eventos externos (traumas, crises no ciclo vital) ou internas (doenças, alterações hormonais e hereditariedade).

Sempre que houver uma mudança importante no comportamento da pessoa e em especial, associada a queda de rendimento (escolar, trabalho, aprendizado) , alterações vitais (sono, apetite, libido, esfíncteres) ou doenças recorrentes (alergias, doenças respiratórias, infecções) é importante avaliar se há algum fator psíquico envolvido.

Nos casos mais graves, os transtornos mentais afetam a memória, o raciocínio e a concentração da pessoa, que poderá apresentar dificuldades no julgamento de questões de sua rotina, criando conflitos, fragilizando relações e trazendo muito sofrimento às pessoas envolvidas. Problemas de humor deprimido ou ansioso são os mais recorrentes.

OP - Quais os cuidados que podemos ter?

RC - Manter autocuidado, alimentação saudável, sono regular, exercícios físicos, não fumar, não fazer abuso álcool , drogas e medicações, manter relações saudáveis e uma boa rede de apoio (incluindo amizades e espiritualidade) são o básico.

Procurar ajuda nos momentos críticos ou quando algo parecer que não esta bem é importante - a maioria das pessoas ainda acha que transtornos mentais não são doença, por isso não buscam tratamento e levam anos até admitir que precisam de ajuda especializada. Muitas vezes a ajuda chega depois que muitos aspectos da vida da pessoa estão comprometidos.

OP - Os casos são mais frequentes em quem?

RC - Crianças e idosos são considerados "frágeis" em razão da etapa de vida que se encontram. Habitualmente podem enfrentar com mais dificuldades as crises do ciclo vital e se forem bem amparados, contarem com recursos internos e externos estarão "mais protegidos" dos efeitos a longo prazo que crises podem provocar, incluindo no caso das crianças, doenças de ordem mental que se instalam na juventude e os acompanham pela vida afora.

Os adultos sofrem por sua vez com altos níveis de estresse e precisam também de recursos de apoio. Tendem a abusar mais de álcool e medicações, a apresentar comportamento destrutivo - se envolvendo em relações negativas e até abusivas.

OP - Como procurar o médico corretamente?

RC - Quando houver alterações no funcionamento da pessoa, no seu rendimento, concentração, humor e motivação.

OP - E qual a importância em alertar sobre esses transtornos?

RC - Para detectarmos mais precocemente o sofrimento psíquico afim de reduzir os efeitos nocivos deste. Nem sempre poderemos "curar" ou eliminar a causa de um sofrimento, mas existem formas de lidar com as questões de nossa vida que podem minimizar o impacto delas sobre nosso bem estar.Para detectarmos mais precocemente o sofrimento psíquico afim de reduzir os efeitos nocivos deste. Nem sempre poderemos "curar" ou eliminar a causa de um sofrimento, mas existem formas de lidar com as questões de nossa vida que podem minimizar o impacto delas sobre nosso bem estar.