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Banco de leite humano do Rio faz campanha para atrair novas doadoras

16:07 | 25/02/2019
Com o período de férias, festividades de fim de ano e a proximidade do carnaval, o Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), precisa com urgência repor os estoques para alimentar os bebês tratados pela instituição.

Para tanto, o IFF iniciou uma campanha para atrair mais doadoras e trazer de volta as que interromperam as doações durante esse período. Segundo a gerente do Banco de Leite, Danielle Aparecida da Silva, são necessários em média 300 litros de leite por mês para atender a demanda do IFF, e as doações caíram 60% desde janeiro. Como o carnaval este ano cai em março, o problema se agrava.

“Este ano o carnaval será na primeira semana de março e, por isso, a gente contabiliza essa perda durante todo o mês de fevereiro. As famílias saem para aproveitar as férias, mas quem é doadora, por exemplo, aqui no Rio de Janeiro, se for para o Espírito Santo, nós também temos banco de leite lá. São 220 unidades pelo Brasil inteiro, onde elas podem dar continuidade às doações, ajudando os prematuros de outros lugares”. afirmou Danielle.

Ela disse que é importante a doadora informar ao banco de leite quando for viajar e de qual banco poderá colaborar durante as férias. Da mesma forma, as mães que estão amamentando e vêm passar férias no Rio, também podem fazer suas doações temporariamente na cidade. O endereço dos bancos de leite de todo o Brasil pode ser conferido no site brasileiro da Rede Global de Bancos de Leite Humano.

Danielle destacou que o leite humano é fundamental para alimentar os bebês prematuros, de baixo peso ou portadores de patologias, internados nas unidades de terapia intensiva neonatais. “Para eles, esse leite é muito mais do que alimento, ele chega a ser um medicamento e é uma fonte de energia vital. Então, com o menor volume [de leite no estoque] a gente começa a ter que atender menos bebês.”

Quando falta o leite humano, é necessário o uso de fórmulas, lembrou Danielle. “A gente sabe que a fórmula nem sempre é o melhor alimento nesses casos, pode dar diarreia, distensão abdominal. É por isso que a gente prioriza as doações do leite materno para dar melhor qualidade de vida e nutricional aos bebês internados.”

Além de beneficiar o bebê que recebe o leite doado, que consome apenas 2 a 5 mililitros a cada duas ou três horas, a doação também é importante para a mãe do prematuro, “pois a certeza de que seu filho está recebendo o melhor alimento a deixa mais tranquila e facilita o processo de produção de leite para o seu próprio bebê após ele deixar a UTI”, acrescentou Danielle.

Além disso, Danielle ressaltou que, ao retirar o excesso de leite produzido, a doadora evita mastite e estimula a produção de leite para o próprio bebê. Esse benefício é comprovado pela nutricionista Yvi de Oliveira, de 33 anos, que se inscreveu no banco de leite quando a filha Nina, agora com 5 meses, tinha 10 dias e ela estava com princípio de mastite.

“Eu tive um princípio de mastite na primeira semana, antes de me inscrever no banco de leite. Daí eu fui lá e já me inscrevi, fiz todo o processo, preenchi  a ficha, o cadastro, recebi as orientações, e nunca mais tive nada. Eu sempre indico procurarem o banco de leite, porque é um serviço que funciona. Fui muito bem atendida nas duas vezes que precisei de ajuda”, disse a nutricionista, que também é mãe de João, de 3 anos e 5 meses. Ela disse que notou a diferença e que a doação a ajudou muito, já que não conseguiu doar leite quando amamentou o primeiro filho, por não ter com quem deixar a doação para ser recolhida ao voltar a trabalhar. “Ajuda muito, o João mamou até 2 anos e 5 meses, até o final do processo eu ainda tive mastite”, lembrou Yvi, que chegou a doar mais de 4 litros em uma semana no primeiro mês em que amamentou Nina. “Agora estou doando de 4 a 5 potes de 400ml por semana” diz Yvi, orgulhosa.

“Eu sei que faço muito bem para os pequenininhos, para as famílias. E faz bem para mim. A gente incentiva muito, sabe o bem que faz a amamentação, mas eu sei que pode ser muito difícil. Eu tive dificuldade para iniciar as doações nas duas vezes porque o meu peito machucou. Mas tive força de vontade e determinação – faz parte do processo de ser mãe”, acrescentou.

Agência Brasil