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As dificuldades para sair da academia

05:00 | 04/02/2019

Descobrir e provar a eficácia de uma pesquisa para o desenvolvimento de um biofármaco é só o primeiro passo. Quando feita na universidade, principalmente, as dificuldades para que o estudo saia do papel e tenha impacto na sociedade são inúmeros. Após identificar a relação entre o efeito e a planta, é preciso fazer o isolamento e a caracterização da molécula.

"Os próximos passos na indústria são o estudo de eficiência. Uma coisa é usar no indivíduo, outra é usar em larga escala. Quem fomenta essa parte são os próprios laboratórios responsáveis. É outro tipo de financiamento, da linha de inovação", detalha Luiz Drude de Lacerda, diretor científico da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).

Além da pesquisa laboratorial, depois que identifica a molécula na natureza, seguem-se diversas fases de testes, até a verificação de eficácia, a nível individual, e efetividade, na população em geral.

"No Brasil, o trâmite é lento e a gente acaba perdendo a corrida internacional de fabricação das drogas", analisa a médica Ivana Barreto, pesquisadora especialista em Ciência, Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz no Ceará.

"O governo tem um papel muito importante no financiamento dessas pesquisas. Essas doenças negligenciadas afetam populações vulneráveis de países da região tropical. E os laboratórios de países industrializados não tem interesse", detalha Ivana apontando que, além do financiamento, outra dificuldade, no Ceará, é o escalonamento da molécula.

Nesse cenário, a implantação do Distrito de Inovação em Saúde, em Fortaleza, e o Polo Industrial e Tecnológico da Saúde (Pits), no Eusébio, somados às estruturas já existentes como o Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimentos de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará (UFC), pode ser um divisor de águas para a inovação no Ceará, prospecta Tecia Carvalho, diretora técnica do Núcleo de Estudos e Pesquisas do Norte e Nordeste (Nepen) e diretora adjunta de Parque de Desenvolvimento Tecnológico (Padetec).

"A grande dificuldade é transformar essa pesquisa em negócio. Mesmo com a política de incentivo de inovação tecnológica, ainda é difícil pela própria cultura. A gente já vem trabalhando a gestão da inovação. A transferência de tecnologia, a patente, pela criação de novas empresas a propriedade intelectual. Existe a necessidade de investir esses mecanismos de aprendizado. Quanto vale uma tecnologia dessas, olhar para o começo da cadeia", detalha Tecia.

O médico Carlile Lavor, coordenador da Fiocruz no Ceará, para estimular uma grande indústria farmacêutica no Brasil é preciso atrair indústrias que façam a fase de experimentação industrial. "Um desafio muito importante é a aproximação entre os pesquisadores de universidades e as indústrias. Cada um vê o outro com desconfiança. O lançamento de novos produtos precisa de descobertas dos pesquisadores", relaciona.

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