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Saúde
inseticida

O fumacê é eficaz no combate ao Aedes Aegypti?

O inseticida dura até 30 minutos quando liberado no ar e mata apenas mosquitos adultos. A exposição frequente ao componente pode causar riscos à saúde

23:14 | 03/05/2018
O efeito do inseticida dura até 30 minutos quando liberado no ar e mata apenas mosquitos adultos. (Foto: Mateus Dantas)
 
A redução do número de municípios cearenses com alta infestação pelo mosquito Aedes Aegypti não tem diminuído a preocupação da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa) no combate ao vetor. Até o dia 5 maio, serão concluídos mais três ciclos da pulverização de inseticida em cerca de 50 bairros da Capital. Mesmo sendo uma medida bastante cobrada pela população, o fumacê é constante alvo de divergência entre pesquisadores. Além da baixa eficácia na ação, estudos indicam que o contato recorrente com o inseticida pode causar intoxicação e a longo prazo o desenvolvimento de câncer e outras doenças. 
 
Indicado, principalmente, para períodos de epidemia, o fumacê consiste na utilização de agrotóxico em pequenas dosagens com o objetivo de atingir letalmente o inseto vetor. O efeito dura até 30 minutos quando liberado no ar e mata apenas mosquitos adultos. Os criadouros, portanto, não são afetados. Ainda, por depender de fatores externos, a medida é considerada de baixa eficácia. 
 
No Brasil, o inseticida utilizado na pulverização é o malathion. Ele pertence ao grupo dos organofosforados, um composto orgânico degradável utilizado no controle de pragas. Por possuir uma forma diferente dos inseticidas encontrados nos supermercados, sua distribuição é feita apenas pelo Governo Federal. 

O Malathion, entretanto, é considerado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) como potencialmente cancerígeno para os seres humanos. Uma pesquisa feita em 2015 pela agência e que também utilizou de outros quatro organofosforados, indica que há evidências de que a exposição ao pesticida desenvolva em humanos linfoma não-Hodgkin e câncer de próstata. As análises foram feitas nos Estados Unidos, Canadá e Suécia em trabalhadores agrícolas que ficam expostos constantemente ao componente. Os pesquisadores ainda ressaltam que roedores utilizados em outros estudos também desenvolveram tumores.

LIA BRUNO