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Dia do Sexo: especialistas discutem as novas formas de se relacionar

Lembrado no dia 6 de setembro, trocadilho com a posição 69, o Dia do Sexo levanta discussões sobre o tema. Em uma sociedade mais livre no mundo digital, será que ainda é difícil falar sobre sexo? Saiba a opinião de especialistas

11:45 | 06/09/2016
Uma das mais conhecidas possibilidades do sexo, a posição 69, rendeu uma brincadeira que ficou no imaginário das pessoas. Criado em 2008 de forma não-oficial, o Dia do Sexo ficou marcado neste 6 de setembro a partir de uma campanha publicitária. De lá pra cá, a data especial ganha espaço e levanta debate sobre as formas de se relacionar

Para muitos casais, é dia de sair da rotina e experimentar. Para outros, é mais uma chance para se entender melhor sobre as possibilidades que o próprio corpo oferece. Praticado de forma responsável, o sexo é, além de tudo, isca de benefícios para a saúde. Melhorar a aparência da pele e a autoestima, queimar calorias e até fortalecer a musculatura são alguns exemplos do que pode resultar de bom.

Nos últimos anos, muita gente que procura romance ou simplesmente algo casual se rendeu aos aplicativos de paquera. Dentre os mais conhecidos está o Tinder, que promove a compatibilidade entre potenciais encontros. Nos últimos meses, o app ganhou concorrente forte: o Happn. Há também espaço para públicos mais específicos, como Scruff e Grindr, dedicados a homens gays. Já o mais conhecido entre lésbicas é o Wapa - antigo Brenda, um dos primeiros apps lésbicos a surgir no Brasil.

[SAIBAMAIS]O curioso é que o ambiente digital tem recebido cada vez mais pessoas dispostas a se aventurar sem medo. Exemplo disso é a pesquisa realizada pelo site alemão voltado para encontros casuais C-Date. Conforme a empresa, 60,71% dos usuários do site nunca mentiram ou omitiram informação na hora da conquista. 72,55% das mulheres e 60,53% dos homens afirmaram que mentir nessa hora pode ser prejudicial para a conquista. Por outro lado, 35% das mulheres assumem que mentem a verdadeira idade. Já a mentira mais contada entre os homens é o estado civil, com 42,61%.
 
A psicóloga e sexóloga do C-Date, Carla Cecarello, diz que os apps e sites de relacionamento ampliaram a maneira como as pessoas se relacionam. O problema, diz ela, é que as pessoas são tratadas como mercadoria. "Para algumas pessoas isso não é bom, mas tudo depende do momento de vida em que você está e dos seus objetivos", avalia. Esse momento citado por Carla reflete muitas vezes no sexo casual. 58,13% dos homens ouvidos pela pesquisa dizem nunca ter se envolvido emocionalmente nesse tipo de relação, vantagem reconhecida por 22,98% das mulheres. 
 
Outra informação levantada pela apuração é que 63,54% dos usuários assistem a filmes eróticos para apimentar a transa. Homens são maioria nesse ponto (56,12%). Quando perguntados sobre o comportamento do parceiro, ambos os sexos foram alinhados nas respostas. 77,69% dos homens e 79,04% das mulheres afirmam que é legal quando o parceiro varia entre o comportamento considerado "escandaloso" e mais discreto, dependendo do momento da relação. 
 
O estudo também revelou que 35,38% dos homens já broxaram na hora da transa, enquanto 52,76% das mulheres contaram que já fingiram orgasmo. Mesmo assim, o levantamento aponta que 57,96% das pessoas consultadas estão satisfeitas com a vida sexual que levam, ao mesmo tempo em que dizem que poderia ser melhor.  
 
A resistência do tabu 
 
A sexóloga do C-Date garante que, apesar das pesquisas, falar sobre sexo ainda é um problema para muita gente. "Isso é prejudicial porque quanto mais dúvidas você tem em relação a algo, com mais dificuldade você desempenha seu papel", pondera. Carla Cecarello afirma que as pessoas acabam deixando de fazer algo simplesmente por não ter informação.
 
A psicóloga, sexóloga e pedagoga Zenilce Vieira Bruno atribui a resistência à iniciação sexual, embora considere mais fácil falar sobre sexo nos dias de hoje. "O tabu da mudança de criança para adolescente ainda persiste para muitos pais, como uma negação da sexualidade de seus filhos", considera. Zenilce, que também é colunista do O POVO, sugere que essa negação pode estar ligada à própria vida sexual dos pais, muitas vezes ligada a traumas e frustrações. 
 
Mas se é tão difícil falar, por que sexo vende tanto? Nesse ponto, as especialistas concordam que o proibido desperta curiosidade e fantasia. Mas a expectativa nem sempre reflete na realidade. Zenilce Bruno orienta que conversar mais abertamente é a saída para não deixar a timidez atrapalhar o autoconhecimento. "Acredito que falte informações adequadas para as diferenças. As informações são generalizadas e muitos não se sentem enquadrados no que é ensinado", pondera.

Diálogo e informação como saída

"Sempre vejo com bons olhos o que chega para contribuir. Mas a distorção é o grande problema", diz Zenilce sobre a popularidade dos aplicativos de paquera e o retorno à educação sexual. "Sugiro aos pais mais diálogos com os adolescentes sobre as novidades que chegam sem controle e avaliação".  
 
Carla Cecarello afirma que o caminho é um só: informação. "As pessoas precisam se informar melhor sobre sexualidade para buscar aquilo que é melhor para elas", indica. "O que importa é a satisfação. Você não precisa ficar no padrão exigido pela sociedade".
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