Economista de Alckmin, Persio Arida critica teto de gasto
"Uma medida como essa para 20 anos não faz sentido, você não pode engessar os gastos, porque a economia é dinâmica", disse o economista, em evento promovido pelo deputado federal Floriano Pesaro (PSDB-SP), que tentou ser escolhido pré-candidato do PSDB ao governo do Estado, mas perdeu prévias para o ex-prefeito de São Paulo João Doria. Pesaro é candidato a mais um mandato na Câmara.
Apesar da crítica ao teto dos gastos, Arida considera que, dado o desequilíbrio fiscal no qual o País se encontra, a medida é útil "no momento, por dois ou três anos". "Sem o teto, o Congresso vai inventar gastos o tempo todo. Mais pra frente, podemos até rever, mas no momento ele é útil", afirmou o economista, que foi presidente do Banco Central (BC) no governo de Fernando Henrique Cardoso e fez parte da equipe que elaborou o Plano Real.
O teto dos gastos é frequentemente apontado pelo presidente Michel Temer como uma das medidas do seu governo para "modernizar" o País e uma das provas de que seu governo é "reformista" e comprometido com o ajuste fiscal. A bancada do PSDB votou integralmente a favor da emenda à Constituição. Neste ano, Alckmin chegou a criticar a medida, por esmagar o investimento e o custeio, mas negou a possibilidade de revogá-la caso seja eleito presidente.
Arida tem dito em suas palestras que, para o Brasil voltar a crescer a um ritmo de 4% ou 5%, é necessário equilibrar as contas públicas. "Quando a parte fiscal está desequilibrada, todo o resto sai do equilíbrio", disse. Para ele, o pior não é ter déficit, mas sim ter uma dívida alta.
"Está tudo bem se você não deve nada e fica pendurado no banco. O problema é se antes você já devia muito", acrescentou. O objetivo de Alckmin, segundo ele, é zerar em dois anos o atual déficit de 2,5% do PIB e transformá-lo em superávit de 2% no fim do quarto ano de mandato.
No evento de hoje, que contou basicamente com lideranças da sociedade ligadas a Pesaro, não necessariamente vinculados ao PSDB, Arida foi mais tímido ao se referir a outros candidatos. Em eventos anteriores, principalmente aqueles com plateia do mercado financeiro, ele dedicou boa parte dos seus discursos para criticar o deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato a presidente pelo PSL e um dos principais adversários de Alckmin na disputa por votos de eleitores que rejeitam o PT.
Dessa vez, Arida voltou a ressaltar que Bolsonaro tem um histórico de votações na Câmara alinhadas com as bancadas de esquerda, o que seria contraditório com a tentativa do deputado de se mostrar como um candidato liberal, principalmente depois que passou a ser assessorado pelo economista Paulo Guedes. Disse também que é necessário ter experiência para fazer ajuste fiscal e formar alianças no Congresso, credenciais que, segundo economista, somente Alckmin tem.
Agência Estado
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