Comitê 'Justiça por Marielle e Anderson' vê com preocupação vazamento de informações
O comitê reforça que não aceitará "que o Caso Marielle e Anderson seja simplificado e interpretado apenas como objeto de disputas e interesses pessoais ou de grupos políticos
Em postagem no X, antigo Twitter, a deputada Mônica Benício (Psol), viúva de Marielle Franco, publicou uma nota em nome de amigos e familiares da vereadora e Anderson Gomes expressando preocupação com o vazamento de informações da investigação contra os mandantes do crime.
“O Comitê Justiça por Marielle e Anderson vê com preocupação o vazamento de informações que possam comprometer a condução das investigações e os ritos processuais adequados. Aguardamos com esperança que a delação de Ronnie Lessa apresente de fato novos elementos probatórios que representem um avanço significativo na busca por justiça”, consta no documento.
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O pronunciamento surge após informações de que o ex-sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Ronnie Lessa, fecharia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF). Lessa é apontado como o autor dos disparos que executaram a vereadora fluminense e o motorista dela.
Na nota pública, o comitê reforça que não aceitará “que o Caso Marielle e Anderson seja simplificado e interpretado apenas como objeto de disputas e interesses pessoais ou de grupos políticos”.
O texto surge após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se manifestar acerca do caso, afirmando que “o caso Marielle se aproxima do final com a deleção de [Ronnie] Lessa".
Em publicação no X, antigo Twitter, Bolsonaro mencionou que estava na Arábia Saudita no dia em que o assassinato de Marielle foi veiculado nos jornais, mas reiterou que iniciou uma transmissão ao vivo “imediatamente após o término do Jornal Nacional”.
Veja
- O caso Marielle se aproxima do seu final com a delação de Lessa (ainda não homologada). Também cessa a narrativa descomunal e proposital criada por grande parte da imprensa e pela militância da esquerda.
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) January 23, 2024
- Quando a TV Globo denunciou o caso, em 30/out/2019, Bolsonaro estava… pic.twitter.com/Q7fantF3LG
Bolsonaristas Brazão ao PT
Aliados e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) agitaram as redes sociais para defender o político, uma vez que, durante a delação premiada, Ronnie Lessa mencionou o nome do conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, como um dos mandantes do assassinato de Marielle e Anderson.
“Deputada chora porque a narrativa criada de associar a morte de Marielle a Bolsonaro acaba de morrer. Deveriam ser todos processados, presos por calúnia e quebra de reputação”, escreveu um usuário do X, antigo Twitter.
“O que essa gente com ajuda da mídia vendida fizeram com o presidente Bolsonaro foi de uma leviandade sem tamanho. Mais uma vez, Bolsonaro sai vencedor e a verdade prevalece”, completou o internauta.
A movimentação surgiu após o deputado federal, Nikolas Ferreira (PL-MG) tentar vincular o nome de Brazão ao Partido dos Trabalhadores (PT), por meio de uma publicação na rede social. Na postagem ele escreveu: “Por que um petista mandou matar Marielle?”.
Por que um petista mandou matar Marielle?
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) January 23, 2024
O argumento de Nikolas se baseia em uma foto em que Domingos, suposto mandante do crime, aparece posando com uma camiseta da campanha da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2014.
Brazão sempre foi filiado ao MDB, que à época da foto, integrava a base do governo, com Michel Temer candidato a vice na chapa.
Petistas ligam Brazão a Bolsonaro
Após a postagem do deputado Nikolas Ferreira repercutir na rede social, apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateram o parlamentar, destacando que Brazão e seus familiares haviam recebido passaportes diplomáticos de Jair Bolsonaro, em 2019.
Dentre os materiais rememorados pelos usuários, está um vídeo publicado pelo deputado federal Chiquinho Brazão (União-RJ), irmão de Domingos, durante a campanha presidencial de 2022. Na gravação, os membros da família Brazão aparecem ao lado do hoje senador, Flávio Bolsonaro (PL).
Veja
DESMENTINDO A DIREITA: A família Brazão votou em Jair Bolsonaro, assim como Jair Bolsonaro já declarou voto no Presidente @LulaOficial. O Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL-MG) MENTE! pic.twitter.com/L4DQee3Mjd
— PESQUISAS E ANÁLISES ELEIÇÕES (@pesquisas_elige) January 23, 2024
Confira outras postagens que exibem a ligação de Brazão com o bolsonarismo:
Bolsonaro tentou soltar o assassino e deu passaporte diplomático ao "mandante"! BRAZAO BOLSONARISTA MANDANTE DIPLOMÁTICO pic.twitter.com/CLooJNwfTY
— Vel Andrade (@VAndradeLula) January 23, 2024
RAPAZ! Olha aí a Família Brazão fazendo campanha fervorosa para a bolsonaro em 2022. Destaque para o Flávio Bolsonaro todo orgulhoso ao lado deles. pic.twitter.com/2GzSLV2bBg
— Lázaro Rosa (@lazarorosa25) January 23, 2024
Leia a nota completa do Comitê Justiça por Marielle e Anderson
"Nota pública sobre o andamento das investigações dos mandantes da execução de Marielle Franco e Anderson Gomes - 23/01/2024
Na manhã de hoje (23), as famílias de Marielle Franco e Anderson Gomes foram informadas pela imprensa sobre suposto acordo de delação premiada firmado com Ronnie Lessa, um dos acusados pela execução do crime - ainda não homologada pelo Superior Tribunal de Justiça - que teria indicado um dos mandantes do brutal assassinato de Marielle e Anderson.
O Comitê Justiça por Marielle e Anderson vê com preocupação o vazamento de informações que possam comprometer a condução das investigações e os ritos processuais adequados. Aguardamos com esperança que a delação de Ronnie Lessa apresente de fato novos elementos probatórios que representem um avanço significativo na busca por justiça.
No entanto, é necessário ressaltar que, até o momento, não houve atualizações oficiais por parte das autoridades envolvidas, e a delação ainda precisa ser homologada pelo Superior Tribunal de Justiça para confirmar sua validade. As famílias reiteram seu apelo por responsabilidade na veiculação de informações sobre o caso, evitando usos de diversas ordens e finalidades. Não aceitaremos que o Caso Marielle e Anderson seja simplificado e interpretado apenas como objeto de disputas e interesses pessoais ou de grupos políticos.
Reafirmamos nosso compromisso com a verdade, a luta por justiça e a memória de Marielle e Anderson. Que o processo em curso respeite os trâmites e garantias legais e possa lançar luz sobre quem foram os mandantes desse crime que abalou não apenas nossas vidas, mas a sociedade brasileira e internacional como um todo. Este crime, que tirou a vida de Marielle e Anderson, não é apenas um ato de violência brutal, mas uma triste evidência da fragilidade de nossa democracia e do compromisso deficiente do Estado brasileiro com a proteção de defensoras e defensores dos direitos humanos.
Continuaremos lutando por justiça para que tenhamos respostas efetivas sobre quem mandou matar Marielle e por quê e para que o Estado garanta medidas de reparação para os familiares e medidas para que não se repita.
Marielle e Anderson não serão esquecidos".
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