"Bolsonaro definitivamente diria para pessoas não olharem para cima", alfineta diretor de "Não Olhe para Cima"
Adam McKay critica a postura negacionista que o presidente brasileiro vem assumindo desde o início da pandemia
O diretor de Não Olhe Para Cima, Adam McKay, afirmou nas redes sociais que o presidente Jair Bolsonaro (PL) "definitivamente diria para as pessoas não olharem para cima". A declaração, uma referência ao negacionismo da sua sátira na Netflix, é uma reposta a um artigo do ministro Ciro Nogueira no jornal O Globo, em que o político comparou o cometa do filme ao PT.
No produção da Netflix, a frase "olhe para cima" virou um lema para alertar as pessoas de que o cometa que vinha em direção à Terra realmente existia, como comprovaram os estudos de cientistas. Os protagonistas, interpretados por Jennifer Lawrence e Leonardo DiCaprio, procuram mobilizar governos para alguma tomada de decisão em prol dE salvar a humanidade.
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Porém, empresários e políticos faziam discurso contrário, como é o exemplo da própria presidente dos Estados Unidos, que diziam não acreditar nos fatos. Interpretada por Meryl Streep, ela tinha, entretando, uma saída planejada para o momento em que o cometa atingisse o planeta.
A fala de McKay não se relaciona com apoio político ou partido específico. Ele critica a postura negacionista que Bolsonaro vem assumindo desde o início da pandemia. O chefe do Executivo vem questionando não apenas a gravidade da Covid-19, que já matou mais de 600 mil brasileiros, como também a eficácia e a segurança das vacinas, duas questões já provadas pela ciência.
Quando estreou, parte da audiência brasileira foi rápida ao associar a história do filme à gestão da pandemia da Covid-19 feita pelo governo Bolsonaro. Para compor seu personagem, Leonardo DiCaprio se inspirou em ativistas e cientistas da vida real, sobretudo, segundo ele, "pessoas da comunidade científica que lutam para comunicar a urgência da questão [ambiental] e estão sempre sujeitas às últimas páginas dos jornais.
Na vida real, em 2019, DiCaprio criticou profundamente as queimadas na Amazônia em suas redes sociais. Na época, o ator foi apontado como doador de uma quantia para a ONG WWF. A investigação da polícia seguia a linha que brigadistas da região de Alter do Chão, no Pará, provocavam incêndios e vendiam imagens para conseguir doações. Os quatro brigadistas em questão foram presos.
O presidente acusou o ator, em uma live, de ter doado o dinheiro para incentivar os incêndios criminosos. Em nota divulgada por meio de agências de notícias, DiCaprio declarou: "Neste momento de crise para a Amazônia, eu apoio o povo do Brasil que trabalha para salvar seu patrimônio natural e cultural (...) O futuro desses ecossistemas insubstituíveis está em jogo e tenho orgulho de apoiar os grupos que os protegem".
O artista continuou: "Embora dignas de apoio, não financiamos as organizações citadas. Continuo comprometido em apoiar as comunidades indígenas brasileiras, os governos locais, cientistas, educadores e as pessoas que estão trabalhando incansavelmente para garantir a Amazônia para o futuro de todos os brasileiros.
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