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Deputados do PT e PDT defendem manutenção da aliança estadual entre as siglas em 2022

Os deputados estavam presentes hoje em solenidade de inauguração do Edifício Deputado Francisco das Chagas Albuquerque - Anexo 3, na AL-CE
17:49 | Dez. 13, 2021
Autor Alice Araújo
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Tipo Notícia

Parlamentares do PT e PDT no Ceará defenderam a manutenção da aliança entre as duas siglas no âmbito estadual, em 2022. Declarações pela continuidade da parceria foram dadas durante evento na Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE), para inaugurar o Edifício Deputado Francisco das Chagas Albuquerque - Anexo 3, nesta segunda-feira, 13. Na ocasião estavam presentes o governador Camilo Santana (PT), o presidente da Casa, deputado Evandro Leitão (PDT), e demais autoridades. 

Na última quinta-feira, Camilo já havia reforçado que a integração dos dois partidos no estado estava “cada vez mais consolidada, sólida e forte”, mesmo em meio a um contexto em que as duas siglas apresentam candidaturas nacionais diferentes. A fala do governador foi defendida pelo presidente estadual do PDT, o deputado federal André Figueiredo. O parlamentar destacou, em entrevista durante o evento, o diálogo da sigla com o PT. De acordo com o dirigente, ambas as agremiações têm a luta contra o conservadorismo do presidente Jair Bolsonaro (PL) em comum.

“O que nós temos aqui no parlamento estadual, o que mantemos na bancada federal, na Câmara dos Deputados, no Senado da República, vai se refletir no ano de 2022, que é um movimento anti-conservadorismo, representado por Bolsonaro, todo o tipo de atraso que ele representa para o Brasil. E consequentemente, nós precisamos, a partir das coligações estaduais e das frentes amplas estaduais, mantermos um diálogo permanente com o PT. Isso será benéfico, até mesmo porque em caso no segundo turno não nos enfrentemos, certamente estaremos juntos”, disse o parlamentar.

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A lógica também é acompanhada pelo correligionário, deputado estadual Marcos Sobreira. O pedetista afirmou que PT e PDT, no Ceará, devem “caminhar juntos”. Contudo, conforme Sobreira, a cabeça da chapa deve ser postulada pelo PDT, por seu uma agremiação mais robusta.

“É natural que o PDT tenha o pré-candidato, tenha a cabeça de chapa, vamos dizer assim, até porque nós apoiamos agora duas gestões do PT e o PDT por ter a maior quantidade de deputados estaduais, maior quantidade de deputados federais, maior quantidade de vereadores e de prefeitos, é natural que a gente postule a cabeça de chapa. Eu acredito que vai haver essa congruência, que nós vamos estar juntos nessa disputa”, explicou o deputado.

O parlamentar também reforçou que a união dos partidos deverá abarcar outras siglas. Segundo Marcos Sobreira, “a intenção é unir todo o time”, mirando em fortalecer o grupo político nas eleições de 2022. O deputado reiterou que tem conversado com outros políticos do estado que compõem o grupo e “a maioria absoluta, de deputados, prefeitos, vereadores” é favorável à união.

“PCdoB, PT, PDT, PSD, a intenção é unir todos pelo bem do estado do Ceará. O projeto que se iniciou com o PDT, na gestão do governador Cid Gomes, passou agora quase 8 anos do Camilo e com certeza terá mais quatro anos de continuidade para que a gente não deixe declinar nenhum índice. Nós temos orgulho de ter a melhor educação pública do país hoje, e a gente não pode colocar isso em cheque em uma futura eleição”, frisou.

Já quanto ao posicionamento dos parlamentares petistas, o deputado estadual Elmano Freitas confirmou que há, sim, um estudo sobre a manutenção da aliança com o PDT. Porém, conforme o parlamentar, há também possibilidade do partido lançar candidato próprio para o Palácio da Abolição. De acordo com Elmano, a parceria entre PDT e PT irá depender de qual candidato pedetista deve ser lançado para o governo estadual.

"Isso envolve essa questão do PDT não se apresentar para negociação e fazer uma abertura para manter a aliança. Nós temos dificuldade com determinados nomes que achamos que não dá para compor, mas acho que temos muita coisa para negociar e temos que discutir um conjunto de propostas para um novo período do Ceará”, esclareceu o petista.

Para o deputado, ainda há "muita coisa para negociar”, principalmente, em meio a uma situação em que o partido encontra dificuldades em dialogar com o PDT em torno de nomes possíveis apresentados pelo partido de Ciro Gomes como pré-candidatos para disputar como cabeça de chapa em 2022. O PT, por sua vez, também vem estudando candidaturas de Luizianne Lins e José Airton Cirilo para disputar o cargo majoritário.

“As possibilidades estão postas. Tanto podemos ter candidatura como podemos compor. Acho que depende muito da postura que o PDT entender ser mais adequada de compor ou não com o PT”, pontuou.

O deputado Fernando Santana, também do PT, reiterou o posicionamento do correligionário. De acordo com o parlamentar, é "legítimo" que o PT apresente seus pré-candidatos, contudo, a decisão deverá seguir a orientação de Camilo Santana.

“É legítimo querer disputar qualquer que seja o cargo, todos os partidos fazem essa discussão interna, eu respeito, penso que temos que ouvir nosso governador Camilo, que é a maior liderança do partido no Ceará, levando o modelo de sua gestão para o país todo. Então, essa discussão é normal dentro do partido, daqui para frente vamos ouvir cada segmento com muita parcimônia e tranquilidade, mas acho que essa discussão agora é válida, mas lá na frente vamos avaliar tudo”, disse.

Ao mesmo tempo, defendeu a necessidade de manutenção da aliança entre PT e PDT. "A união vai prevalecer no estado do Ceará para o bem do povo cearense. No meu ponto de vista, essa união tem feito muito bem para o estado do Ceará. Com esse trabalho desde o inicio do governo Cid Gomes, fruto dessa aliança e união, e nós defendemos essa união. A nível nacional, nós temos que respeitar essa disputa, mas a história do País para nós cearenses começa aqui no Ceará", disse Fernando Santana. 

Dois palanques

Os parlamentares também foram questionados a respeito da posição do governador Camilo Santana em meio à possibilidade de estar em dois palanques nas eleições presidenciais de 2022, se dividindo entre Lula e Ciro. Segundo André Figueiredo, o estado já passou por uma situação semelhante em 2018, quando o PT tinha o candidato Fernando Haddad e o PDT partia nas eleições com Ciro.

“Já tivemos essa discussão em 2018, o Camilo teve dois palanques, o do Haddad e do Ciro. Nós teremos mais uma vez a repetição de dois palanques. Isso vai acontecer em vários estados do Brasil. Não é problema nenhum”, argumentou.

O deputado Marcos Sobreira também comentou o tema. Segundo ele, Camilo já demonstrou sua gratidão com os Ferreira Gomes ao longo dos seus anos de mandato.

“O Camilo por si só, demonstrou nos oito anos, a gratidão que ele tem ao senador Cid Gomes, e ao time que ajuda ele, e ajudou ele a chegar no governo e manter esse bom governo que ele tem. É plausível que o Lula seja o pré-candidato, que o Ciro seja pré-candidato, eu pessoalmente, acompanharei meu partido nessa decisão, mas aqui no Ceará a história é outra, é normal que fora da nossa federação, em outros estados da federação, haja uma disputa”, disse.

Para o pedetista, o Ceará pode, sim, apresentar um “palanque unificado, sem maiores problemas”. De acordo com Sobreira, é importante respeitar o “desejo de cada deputado, de cada prefeito, vice-prefeito, e do povo, de escolher seus candidatos”.

“Eu acho que a gente caminha para ter essa congruência no governo do estado, e quem sabe no segundo turno, se junta todo mundo, né? Eu acho que o objetivo de todos, do Ciro, do Lula, de todos é derrotar o Bolsonaro, e é o nosso também. Então, o que nos une é maior do que qualquer objetivo que porventura possa existir para nos separar. [...] A disputa a nível nacional nós temos que respeitar, mas o país, a história do país para nós cearense, começa aqui no Ceará, então a união aqui no estado do Ceará, deve prevalecer pelo bem do povo cearense”, pontuou.

 

 

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