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Seguranças e apoiadores de Bolsonaro agridem equipes de afiliadas de Globo e SBT

A repórter Camila Marinho e o cinegrafista Cleriston Santana foram impedidos de se aproximar de Jair Bolsonaro. Na ocasião, Camila recebeu um "mata-leão" de um segurança do presidente, e teve sua pochete arrancada e o microfone danificado
19:02 | Dez. 12, 2021
Autor Rede Nordeste
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Tipo Notícia

Equipes da TV Bahia, afiliada da TV Globo, e da TV Aratu, afiliada do SBT, foram agredidas neste domingo, 12, enquanto participavam da cobertura da visita do presidente Jair Bolsonaro a Itamaraju, no Extremo Sul da Bahia, por causa das chuvas que atingem o Município.

De acordo com a TV Bahia, um dos seguranças deteve a repórter Camila Marinho pelo pescoço com o antebraço, em uma espécie de "mata-leão". Ela e o cinegrafista Cleriston Santana foram impedidos de se aproximar de Bolsonaro no estádio municipal Juarez Barbosa, onde o presidente desembarcou de helicóptero. Outro integrante da equipe do presidente tentou impedir que os jornalistas das duas emissoras erguessem os microfones em direção a Bolsonaro, que havia subido em uma caminhonete.

 

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O segurança ameaçou agredir Camila e Cleriston e também Lopes e Dário Cerqueira, da TV Aratu, afiliada do SBT, caso os microfones esbarrassem nele novamente. "Se bater de novo vou enfiar a mão na tua cara. Não bata em mim, não bata em mim", disse.

Um apoiador do presidente atacou os microfones das equipes e rasgou a espuma que cobria o da TV Bahia. A repórter Camila Marinho teve a pochete roubada na confusão. Um jornalista conseguiu recuperar os pertences minutos depois.

As agressões ocorreram após o pouso do helicóptero do presidente no estádio municipal Juarez Barbosa. Ao descer da aeronave, Bolsonaro foi cercado por seus seguranças que formaram uma espécie de "paredão" que tinha como objetivo guiá-lo até a caçamba de uma caminhonete, onde ele subiu, e impedir a aproximação da imprensa que o aguardava para entrevistar.

Apenas após a confusão, a assessoria de imprensa da Presidência chamou os repórteres dos dois veículos para dentro do local onde estava Bolsonaro.

O governador Rui Costa condenou os ataques às equipes de televisão. "A liberdade de imprensa é pilar fundamental da democracia e qualquer ataque ao jornalismo merece repúdio. O momento é de trabalho e solidariedade no Extremo Sul. Repudio violência contra a imprensa e oportunismo num momento de dor diante de uma tragédia. Vamos trabalhar."

Veja nota de repudio da Globo na integra:

"A TV Globo afirma que as agressões deste domingo mostram que já passou da hora de a Procuradoria-Geral da República dar o seu parecer na ação que corre no Supremo, tendo como relator o ministro Dias Toffoli. A imprensa cumpre um direito inscrito na Constituição e deve ter a sua segurança garantida.

As cenas bárbaras de hoje e aquelas ocorridas na Itália, no dia 31 de outubro, ensejam duas constatações: se os seguranças agem por conta própria, a Presidência deve ser responsabilizada por omissão. Se agem seguindo ordens superiores, a Presidência deve ser responsabilizada por atentar contra a liberdade de imprensa e fomentar a violência contra jornalistas.

Além disso, é escandalosa a atitude da Presidência de deixar jornalistas à própria sorte, em meio a apoiadores fanáticos, que são insuflados quase diariamente pelo próprio presidente em sua retórica contra o trabalho da imprensa.

Frente aos evidentes e graves riscos enfrentados por repórteres de todos os veículos, é urgente que o Judiciário se pronuncie. A Globo repudia as agressões aos repórteres Camila Marinho e Cleriston Santana, da TV Bahia, e aos repórteres Xico Lopes e Dário Cerqueira, da TV Aratu, e se solidariza com eles".

Com informações do Correio

Via Rede Nordeste

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