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É preocupante candidato que flerta com autoritarismo, diz Moro sobre fala de Lula

Nesta segunda-feira, 22, em entrevista ao jornal El País, Lula minimizou a ditadura de Daniel Ortega na Nicarágua.
11:42 | Nov. 24, 2021
Autor Filipe Pereira
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Filipe Pereira Repórter de Política
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Tipo Notícia

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro fez críticas, nesta quarta-feira, 24, ao ex-presidente Lula. Em entrevista ao âncora William Waack no Jornal da CNN, o ex-juiz afirmou o petista “flerta com autoritarismo” e não teria vencido as eleições de 2018 mesmo se tivesse tido a oportunidade de se candidatar.

“Acho preocupante quando se flerta com o autoritarismo, quando se tem alguém que quer ser candidato a presidente e fica elogiando Cuba, os presos políticos que existem em Cuba, minimizando restrições à liberdade; quando fica elogiando a Nicarágua que acabou de passar por eleições onde foram presos por motivos políticos os adversários, acho que a gente tem razão para se preocupar”, disse Moro.

Nesta segunda-feira, 22, em entrevista ao jornal El País, Lula minimizou a ditadura de Daniel Ortega na Nicarágua. Durante sua fala, o ex-presidente comparou o tempo em que o ditador e a chanceler alemã Angela Merkel estão no poder, mas afirmou que Ortega errou se mandou prender opositores.

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Durante a entrevista, ao ser questionado por uma jornalista sobre o fato de Ortega mandar opositores para a prisão, Lula afirmou que "não pode julgar o que acontece em outros países" e conduziu o assunto para sua própria prisão. Segundo o ex-presidente, sua condenação na Operação Lava Jato teve o intuito de facilitar o caminho de Bolsonaro ao Planalto.

“Acho muito preocupante que não tenhamos clareza nas credenciais democráticas nas intenção de um candidato à Presidência da República, seja aqui na extrema-direita ou, infelizmente, como tem aqui no Brasil também, na extrema-esquerda”, completou Moro à CNN. 

Questionado sobre as condenações de Lula na operação Lava Jato, Moro defendeu que não tem rixas  pessoais com o ex-presidente Lula, e que os resultados da operação foram respaldadas pelo Judiciário. O ex-ministro lembrou da candidatura de Fernando Haddad (PT) em 2018, quando o petista acabou derrotado no segundo turno por Jair Bolsonaro.

“O ex-presidente insistiu na sua candidatura quando estava inelegível, no fundo ele foi poupado de uma derrota. Mas a grande recessão de 2014 e 2016 estava na memória. As sementes dessa recessão foram plantadas pelo governo Lula; eu não acredito que o ex-presidente, mesmo se tivesse em liberdade, tivesse ganhado aquelas eleições. Tanto que usou um candidato que usava máscara com sua cara e perdeu”, afirmou Moro. 

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