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Deputados cearenses justificam voto a favor e contra PEC dos Precatórios

A maioria dos representantes do estado do Ceará na Câmara dos Deputados votou pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32, que está sendo chamada de PEC do Calote
13:53 | Nov. 04, 2021
Autor Alice Araújo
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Tipo Notícia

Deputados cearenses se manifestaram por meio das redes sociais para justificar os votos contrários e a favor da PEC dos Precatórios, aprovada na Câmara, na madrugada desta quinta-feira, 4. Entre os parlamentares do Estado, a maioria votou a favor da proposta. Dos 22 deputados, 12 votaram “sim” à matéria, seis foram contrários e quatro estavam ausentes.

Entre os parlamentares cearenses que votaram a favor da PEC, surpreendeu o posicionamento dos pedetistas. Dos cinco deputados da sigla, 4 foram a favor da medida. André Figueiredo, líder do PDT no Ceará, justificou seu voto favorável à PEC através de resposta a seguidores nas redes sociais. O parlamentar se disse aberto a fazer uma “explanação” a respeito do assunto.

Ao ser questionado sobre o motivo pelo qual teria votado a favor, Figueiredo escreveu em comentário no Instagram: “Estamos convictos das nossas posições. Construímos acordos pró-professores e mantemos nossa luta pela educação brasileira”, disse o deputado em referência a orientação do PDT, e a contribuição que os parlamentares pedetistas deram para a aprovação da proposta. Os comentários no Instagram do deputado, no entanto, foram desativados.

Eduardo Bismarck, outro membro da sigla que votou a favor da PEC, postou vídeos no recurso de "story", também do Instagram, após a votação justificando sua decisão. “Eu silenciei todo esse tempo, mas a gente vinha construindo um acordo que acabou se concretizando, na noite de hoje, e esse acordo garantiu que os Precatórios não fossem parcelados em dez vezes, nós conseguimos ainda um parcelamento de 3 anos”, disse, em referência ao acordo feito entre PDT e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Para votar a favor da PEC, a sigla participou de reunião com Lira, onde foi acordado que será colocado em votação um projeto de lei que destina aos professores 60% do que a categoria tem direito dessas dívidas, porém escalonado em três anos. “Foi um seguro que a gente fez contra o parcelamento de dez anos, portanto, no 1º ano, 40% será pago de Precatórios, e garantimos ainda, mais importante, 60% para todos os professores, não só do Ceará, mas do Brasil”, explicou Bismarck.

Os pedetistas Leônidas Cristino e Robério Monteiro também foram a favor da aprovação da PEC, mas não chegaram a se pronunciar nas redes sociais a respeito de seus posicionamentos.

Idilvan Alencar, único do PDT Ceará que votou contra a proposta, e consequentemente, foi contra a orientação da sigla, justificou que “desde o princípio” se posicionou “contra qualquer parcelamento dos precatórios”.

O deputado Denis Bezerra, do PSB, seguiu a orientação partidária e votou contra a proposta. Em publicação na sua conta do Instagram, o parlamentar divulgou o registro do seu voto e reforçou que a PEC “representa um desrespeito aos professores, à decisão judicial, à segurança jurídica e à responsabilidade fiscal”.

Contrário ao posicionamento de seu partido, o deputado Pedro Augusto Bezerra, do PTB, também foi contra a aprovação do texto. Em de postagem no Instagram, Bezerra disse: “Firme até o fim! Mesmo com a categoria tendo cedido ao acordo que foi proposto, mantive o voto: NÃO à PEC 32.”

Célio Studart do PV, foi outro deputado cearense que votou contra a medida, seguindo a orientação da sua sigla. Studart chamou a proposta de “PEC do Calote”.

Dos três petistas cearenses na Câmara dos Deputados, apenas Luizianne Lins estava presente na votação e seguiu a orientação do PT, votando contra a matéria. “Nós, da bancada do PT, votamos contra a PEC do Calote, que suspende pagamento de dívidas do desgoverno (precatórios)”, escreveu a deputada.

José Aírton Cirilo e José Guimarães, estavam ausentes na votação. Pelo Twitter, Cirilo lamentou a aprovação da PEC, e disse que a proposta promove “um calote na educação”. No mesmo tuíte, o parlamentar justificou sua ausência por estar participando da COP26, conferência que discute questões climáticas e ambientais, na Escócia.

Já Guimarães, justificou sua ausência compartilhando um atestado médico. O parlamentar disse ter sofrido “fortes dores de coluna” e por isso precisou ir ao Departamento Médico da Câmara. “Preciso me ausentar por 9 dias”, explicou.

Contudo, o petista não poupou críticas à aprovação da PEC, que, segundo ele, é uma “vergonha sobretudo para quem aceitou participar deste acordo bolsonarista”. “O PT tem muito orgulho de ter votado contra a PEC dos Precatórios. O futuro vai cobrar a fatura de quem garantiu a vitória de Bolsonaro”, concluiu.

Ao todo, a medida foi aprovada com votação de 312 deputados a favor (e 144 contra), apenas quatro a mais que o mínimo de 308 necessário para esse tipo de proposta. A emenda ainda deve ser votada no segundo turno, também na Câmara dos Deputados, e em seguida irá para votação no Senado Federal.

 

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