Apoio do PDT à PEC dos Precatórios fragiliza coesão e projeto de Ciro, diz especialista
A PEC recebeu 312 votos favoráveis, apenas quatro a mais do que o mínimo necessário para a aprovação (308). O PDT deu 15 votos a favorA votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios realizada na Câmara gerou atritos e surpresas após a postura favorável de nomes da oposição à proposta que favorece o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Membros de partidos mais à esquerda, como o PDT e o PSB, optaram pelo "sim" na votação em primeiro turno na Câmara.
O tema fez com que o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) suspendesse sua pré-candidatura a presidente até que o PDT revisse o posicionamento. A divergência pode fragilizar a candidatura do ex-ministro. Para a cientista política Monalisa Torres, o fato aponta ainda “indícios de que não há coesão” dentro do partido sobre a questão.
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Torres disse ser cedo para avaliar concretamente o que motivou a postura de parlamentares da oposição, mas apontou para uma possibilidade. “Me pareceu uma postura pragmática, individual, dos parlamentares que, de alguma forma, podem se beneficiar com emendas de relator. Isso pode ser um dos motivos que levaram a fazer um acordo com o Lira”, cogita.
A PEC recebeu 312 votos favoráveis, apenas quatro a mais do que o mínimo necessário para a aprovação. O PDT deu 15 votos a favor e o PSB outros 10; portanto, o apoio dessas legendas foi fundamental para a aprovação da PEC em primeiro turno.
O texto permite ao governo Bolsonaro adiar o pagamento de precatórios, dívidas da União já reconhecidas judicialmente, e abre espaço no Orçamento; viabilizando o pagamento do programa social Auxílio Brasil, uma das apostas de Bolsonaro para garantir a reeleição. Monalisa avalia que esse foi um dos motivos que levou Ciro a dar uma resposta enérgica, colocando sua candidatura em xeque a pouco menos de um ano do pleito.
“A postura desses parlamentares acaba fragilizando a coesão do partido e o projeto de Ciro. Seria incoerente ele ajudar a implementar uma política com perfil altamente eleitoreiro e que pode auxiliar Bolsonaro a viabilizar sua vaga no 2° turno. Se Ciro disputa a vaga, porque apoiaria uma postura que pode, de alguma forma, facilitar a vida de Bolsonaro?”, explica.
Nesta quinta-feira, políticos começaram a repercutir a decisão do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) de suspender sua pré-candidatura à Presidência; dentre eles o governador do Maranhão Flávio Dino (PSB), o senador Randolfe Rodrigues (Rede) e os deputados Orlando Silva (PCdoB) e Juliana Brizolla (PDT).
Pelo lado do PSB, o deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) disse que a bancada orientou pelo voto contrário, mas que dez parlamentares não a seguiram. "Como líder da Minoria, estou trabalhando com o presidente do PSB e demais companheiros para virarmos esses votos e derrotarmos a PEC no 2º turno", escreveu Freixo.
A bancada do PSB orientou voto CONTRÁRIO à PEC do Calote, mas 10 deputados não seguiram o partido e votaram a favor. Como líder da Minoria, estou trabalhando com o presidente do PSB, @csiqueirapsb, e demais companheiros para virarmos esses votos e derrotarmos a PEC no 2º turno.
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