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Base de Camilo elogia Valim, agora próximo de Cid; bolsonarista ataca prefeito: "Se vendeu"

"Ele devia na campanha ter chamado o Cid Gomes para o palanque dele, ter chamado o Camilo Santana para o palanque dele", afirmou Delegado Cavalcante
20:32 | Nov. 03, 2021
Autor Carlos Holanda
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Carlos Holanda Repórter
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Tipo Notícia

A proximidade política cada vez mais evidente do prefeito de Caucaia, Vitor Valim (Pros), do grupo político do senador Cid Gomes (PDT) e do governador Camilo Santana (PT) gerou debate quente na Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE).

A vitória do apresentador televisivo sobre Naumi Amorim (PSD), em 2020, foi contabilizada como um triunfo da oposição liderada pelo correligionário dele, Capitão Wagner, adversário político de Camilo e Cid. O dia a dia da administração do segundo município mais populoso do Estado, porém, tem desautorizado esse cálculo. 

Inicialmente, deputados da base do governo renderam elogios a Valim, ressaltando ações da administração em Caucaia em parceria com o Governo do Ceará, além da aproximação política do ex-colega de Casa dos líderes do governismo estadual. As falas despertaram a reação do deputado Delegado Cavalcante (PTB), bolsonarista "puro sangue" e apoiador de Wagner, provável candidato ao Palácio da Abolição em 2022.

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O deputado estadual Salmito Filho (PDT) abriu a sequência de comentários elogiosos. Citou a tarifa gratuita de ônibus e obras de infraestrutura decorrentes da parceria administrativa entre as gestões municipal e estadual, como o projeto de lei enviado por Camilo à AL que viabilizará a construção de um polo industrial de 120 hectares. 

Ele também mencionou o convênio entre a Prefeitura de Caucaia e o Governo do Ceará para restruturação do litoral do município, que sofre com o avanço do mar. Serão construídos 11 espigões orçados em R$ 174 milhões.

Acrísio Sena (PT) definiu o primeiro ano do prefeito Valim como "magistral" e "fantástico". "Município de Caucaia estava num atraso", disse Fernanda Pessoa (PSDB), próxima de Valim, "e o Vitor demonstra competência nesse primeiro ano."

Cavalcante então reagiu, afirmando que o ex-aliado "se vendeu por 200 milhões". "Ele não foi eleito com o apoio de Cid Gomes, não foi eleito com apoio de alguns deputados do PT, do PDT. Ele foi eleito por homens de bem... Não tô dizendo que os deputados não sejam de bem, mas pessoas de bem que queriam uma mudança no município de Caucaia." 

Para o bolsonarista, a transformação do deputado de oposição em prefeito de situação é fruto de "negociata". "Ele devia na campanha ter chamado o Cid Gomes para o palanque dele, ter chamado o Camilo Santana para o palanque dele", bradou da tribuna, adicionando ainda que o governo Bolsonaro já havia sinalizado que investiria nos espigões.  

Enquanto o petebista falava, Walter Cavalcante (MDB) pediu a concessão de um aparte, tradição parlamentar para complementar ou reparar enquanto algo dito por quem está na tribuna, ao que Delegado Cavalcante respondeu: "Eu não dou o aparte, não dou, não, porque você faz parte dessa negociata também." 

"Nos sete mandatos que tenho, nunca participei desse tipo de tratativa", se defendeu o emedebista.

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