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Centrão quer propor criação de cargo de "senador vitalício" para proteger Bolsonaro de investigações

Aliados de Bolsonaro no Centrão se articulam para propor criação do posto de "senador vitalício" para ex-presidentes; o cargo, entretanto, não deverá ter poder de voto
18:17 | Out. 29, 2021
Autor Maria Estela Assis
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Tipo Notícia

Representantes no Congresso de partidos associados ao “Centrão” estariam se articulando para criar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que torna todos os ex-presidentes “senadores vitalícios”. O objetivo seria garantir imunidade parlamentar a Jair Bolsonaro caso não se reeleja.

Segundo as jornalistas Andreia Sadi, Natuza Nery e Julia Dualibi, no podcast Papo de Política, o atual cargo de Bolsonaro permite que aliados políticos o protejam. Caso não seja reeleito, a situação pode complicar. O cargo de “senador vitalício”, todavia, não deverá ter poder de voto nas tomadas de decisão da Casa, poderá apenas expressar opiniões e discursar.

Sem o foro privilegiado e o apoio do Procurador Geral da República, Augusto Aras, e do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), o presidente poderia estar sujeito a condenações.

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Atualmente, Bolsonaro é suspeito de dez crimes. Durante seu mandato de deputado federal, acredita-se que tenha praticado rachadinha. Já nove crimes foram nomeados no relatório final da CPI da Covid, entre eles: crime contra a humanidade, emprego irregular de verba pública, charlatanismo e falsificação de documentos particulares.

O cientista político Rodrigo Prando analisa que a possibilidade de concretização desse novo cargo é ínfima. “Essa ideia de senador vitalício é pouco provável de avançar na sociedade brasileira, por já surgir no contexto de respaldar juridicamente o presidente", explica. Ele acredita que pressões sociais farão com que os políticos se abstenham de apoiar o projeto. Segundo Rodrigo, a proposta poderia ser uma resposta às pesquisas eleitorais que preveem a derrota de Bolsonaro no segundo turno de 2022.

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