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Militante da cultura, Sérgio Mamberti resistiu à ditadura e ajudou a fundar o PT

Após anos engajado nas campanhas do ex-presidente Lula e na defesa da soltura do petista, lideranças do partido prestaram homenagem ao artista nesta sexta-feira, 3
00:00 | Nov. 30, 0001
Autor Filipe Pereira
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Filipe Pereira Repórter de Política
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Tipo Notícia

O ator Sérgio Mamberti morreu aos 82 anos na madrugada desta sexta-feira, 3, em São Paulo. Além de sua trajetória no teatro, o artista também se dedicou à vida de militante político no Brasil. Foi na resistência à ditadura militar, nos anos 1970, que ele lutou pela Anistia e foi um dos líderes do movimento que garantiu o reconhecimento da profissão de artista no final daquela década.

Desde a fundação do Partido dos Trabalhadores, Sérgio foi militante da sigla, ajudando a fundá-la. Nos governos petistas, ele atuou atuou em cargos-chave para a cultura brasileira. Mambertini foi Secretário de Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC), Secretário de Políticas Culturais e Secretário de Música e Artes Cênicas, e presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte) durante diferentes anos do governo Lula (2003-2011). 

Nesse período, empunhou a bandeira de defesa da diversidade cultural, recebendo destaque no Brasil e no mundo. Na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), foi um dos impulsionadores da convenção sobre a proteção e promoção da diversidade cultural – sobre a qual ele sempre falava com imenso carinho.

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Mamberti viveu momentos importantes da história do país como a Segunda Guerra, a ditadura militar e a redemocratização, tendo convivido com personalidades como Pagu, Luiz Carlos Prestes, Paulo Autran, Beatriz Segall, Gilberto Gil, Rita Lee, Fernanda Montenegro, etc. 

Durante entrevista recente à imprensa, o ator classificou o atual governo do presidente Jair Bolsonaro como uma ditadura, e fez comparações com o regime militar implantada em 1964. “A ditadura de 64 matou muitos sonhos, fui muito cruel, muito violenta. As pessoas que eram a favor da ditadura era um número muito menor do que os que aderiram a essa ditadura tão brega”.

Em conversa com os membros do programa Tamo Junto, da Ponte Jornalismo, o artista lembrou que as mortes por Covid-19. Segundo ele, a responsabilidade é do descaso do atual governo, superando inclusive as mortes durante a ditadura.

Em nota, o Partido dos Trabalhadores lamentou a morte e lembrou que, filiado ao PT, Mamberti foi um dos fundadores da Secretaria Nacional de Cultura do PT. "Militante dedicado, era membro nato do coletivo de cultura, sempre acompanhando com dedicação a vida partidária e lutando pela importância da cultura na luta política", disse o texto.

O partido também destacou que o artista esteve presente em todas as suas campanhas petistas e em defesa de Lula. "Durante o golpe de 2016, foi um dos resistentes, articulando manifestações em defesa do mandato da presidenta Dilma. Lutou incansavelmente pela liberdade do presidente Lula e nos últimos tempos estava esperançado com a possibilidade de Lula voltar à Presidência". 

Em 1989, Sérgio esteve no vídeo em que diversos artistas cantavam o jingle “Lula Lá”, de Hilton Acioly:

Após 32 anos, o ator esteve engajado nos atos em defesa do "Lula Livre", movimento que pedia a soltura do ex-presidente, após ele ser preso em 2018. Depois de ficar dois dias na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, Lula se entregou à Polícia Federal (PF). No ato do teatro Oficina pela liberdade de Lula, Sérgio fez um pronunciamento. 

Nas redes sociais, lideranças do PT prestaram homenagem ao artista, incluindo ex-presidentes Dilma Roussef e Luiz Inácio Lula da Silva. Em seus depoimentos, eles lembraram o papel de Mamberti na fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980.

Segundo Dilma, a morte "priva o país de um dos maiores atores de nossa história e de um grande defensor da cultura brasileira. Fundador do PT, foi a voz do partido em dezenas de vídeos. Foi um bravo militante do movimento Lula Livre. Tive o privilégio de tê-lo ao meu lado, atuando no Ministério da Cultura, e sentirei muita falta de sua força, criatividade e bom humor. Minha solidariedade à sua família", escreveu Dilma, em postagem realizada no Twitter.


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