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Política
NOTÍCIA

STF mantém preso acusado de liderar "Chacina das Cajazeiras"

Um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Deijair de Souza Silva foi rejeitado pelo ministro Alexandre de Moraes

17:30 | 26/07/2021
CHACINA das Cajazeiras deixou 14 mortos no Forró do Gago e arredores, na madrugada de 27 de janeiro de 2018 (Foto: Evilázio Bezerra (28/01/2018))
CHACINA das Cajazeiras deixou 14 mortos no Forró do Gago e arredores, na madrugada de 27 de janeiro de 2018 (Foto: Evilázio Bezerra (28/01/2018))

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou pedido de habeas corpus solicitado em favor de Deijair de Souza Silva, acusado de comandar, no Estado do Ceará, a chamada "Chacina das Cajazeiras", que resultou em 14 homicídios consumados e 15 tentativas de homicídio. A defesa pedia a revogação da prisão preventiva sob o argumento de que seu cliente está preso desde fevereiro de 2018, sem previsão para a conclusão da instrução criminal.

De acordo com os autos, Deijair é líder do grupo de 15 pessoas denunciadas pela prática dos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado, incêndio, tentativa de uso de gás tóxico ou asfixiante, fraude processual e organização criminosa. No dia 27 de janeiro 2018, durante uma festa realizada em estabelecimento localizado no bairro de Cajazeiras, em Fortaleza (CE), o grupo encapuzado e com armas de grosso calibre efetuou inúmeros disparos que atingiram fatalmente 14 vítimas e deixam 15 pessoas feridas.

O juiz da 2ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza acolheu pedido do Ministério Público estadual e decretou a prisão preventiva de Deijair Souza e dos demais corréus. A defesa apresentou HC no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJ-CE) apontando constrangimento ilegal por excesso de prazo na formação da culpa, pedido negado por aquele Tribunal. A mesma solicitação foi indeferida no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que motivou a apresentação do pedido ao STF.

Negativa

Em sua decisão, o ministro Alexandre de Moraes explicou que na análise do excesso de prazo para o encerramento da instrução criminal é imprescindível investigar se a demora é resultado ou não da inércia do Poder Judiciário. Segundo o relator, o entendimento do STF sobre a razoável duração do processo está relacionado às particularidades do caso concreto e leva em consideração, por exemplo, o número de réus e de testemunhas, a necessidade de expedição de cartas precatórias, a atuação das partes, bem como a natureza e a complexidade dos delitos imputados.

No caso dos autos, o ministro verificou a pluralidade de réus, a estruturada atuação de organização criminosa e a necessidade de expedição de carta precatória são fatores que não podem ser ignorados para o regular desenvolvimento do processo. "Não se verifica hipótese de flagrante constrangimento ilegal a justificar o relaxamento da prisão cautelar", concluiu. (Agência STF)