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Política
NOTÍCIA

Há 20 meses sem partido, para onde vai Jair Bolsonaro?

Desde que saiu do PSL, o presidente já tentou viabilizar sua entrada em partidos de pequeno porte e até criar a própria legenda, mas não teve sucesso.

Filipe Pereira
12:28 | 26/07/2021
Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República)
Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República)

O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta sexta-feira, 23, que o Progressistas "passa a ser uma possibilidade de filiação" diante da dificuldade de ter o "domínio" de uma sigla. Há 20 meses sem partido, condição essencial para disputar sua reeleição em 2022, o chefe do Executivo nacional tentou viabilizar sua entrada em partidos de pequeno porte, mas não teve sucesso.

Após sair do PSL, em novembro de 2019, Bolsonaro tentou fundar seu próprio partido, o Aliança pelo Brasil. Contudo, em março de 2020, o mandatário e seus apoiadores não conseguiram apresentar as assinaturas necessárias para fundação da sigla, o que impossibilitou o grupo de apresentar candidatos próprios para as eleições municipais do mesmo ano. O número mínimo de apoiamentos para criação da legenda no Tribunal Superior Eleitoral é 492 mil. A legenda não alcançou 10% das assinaturas.

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Em março deste ano, o Partido da Mulher Brasileira (PMB) alterou o seu nome para Brasil 35. A mudança foi feita durante convenção nacional do partido, no Rio de Janeiro, após conversas com Bolsonaro.  A logomarca do partido, antes de cores azul e branca, ganhou as cores verde e amarelo, bastante usadas por Bolsonaro, e o slogan "Coragem para fazer". A filiação, porém, não foi realizada. 

Em entrevista ao O Globo, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que ele e seu pai têm conversado com alguns partidos, como PMB, Patriota e DC. Segundo Flávio, "independentemente de o presidente não se filiar ao PP nem ao PSL, selamos na terça-feira um compromisso de que tanto PP quanto PSL estarão na coligação do Bolsonaro em 2022".

A última empreitada envolveu o Patriota, atual legenda de Flávio Bolsonaro. O partido dividiu-se internamente sobre o ingresso do presidente e seus apoiadores. Durante conversa com apoiadores, o mandatário chegou a dizer que sua filiação estaria "quase certa", e voltou a comparar as conversas sobre procura por uma sigla com um casamento. "Tem que planejar bem para não dar problema", disse. 

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Após relações conturbadas, Bolsonaro rompeu de vez com a legenda. Segundo aliados, o presidente teve uma briga feia na última terça com o mandatário da sigla, Adilson Barroso, antes de ser internado em Brasília e, depois, transferido para São Paulo após problemas de saúde. 

Após inúmeras tentativas frustradas de interferir nas direções partidárias, Bolsonaro está há mais de um ano sem filiação partidária. Agora, ele investe no Partido Progressistas (PP). "Tentei e estou tentando um partido que eu possa chamar de meu. E se for disputar a Presidência, [é preciso] ter o domínio do partido e está difícil, quase impossível. Então o PP passar a ser uma possibilidade de filiação nossa", disse em entrevista à rádio 92.1 FM, do Mato Grosso do Sul.

Na última semana, o presidente confirmou que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) vai assumir a Casa Civil da Presidência República, em uma reforma ministerial. O parlamentar é um dos líderes do Centrão no Congresso Nacional, o que demonstra a aproximação do governo com o grupo e uma possível filiação do chefe do Executivo ao PP. 

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Apesar de negado e criticado a proximidade com o Centrão durante sua candidatura em 2018, em 20 anos de carreira política, Bolsonaro já esteve no PP e em outros partidos do grupo político.  A carreira começou como vereador na cidade do Rio de Janeiro, em 1989, pelo Partido Democrata Cristão (PDC), onde ele ficou por apenas dois anos, já que foi eleito deputado federal para a legislatura 1991-1995.

No meio do seu mandato, em 1993, Bolsonaro foi um dos fundadores do Partido Progressista Reformador (PPR), que foi o produto de uma fusão entre a antiga sigla de Bolsonaro, o PDC, com o Partido Democrático Social (PDS). 

No PPR, Bolsonaro ficou até agosto de 1995, quando estava no começo de seu segundo mandato como deputado federal. Ele deixou a sigla por causa de uma nova fusão: a de seu partido com o Partido Progressista (PP). Os dois geraram o Partido Progressista Brasileiro (PPB), para qual o ex-militar entrou. No PPB, ficou este mandato e o seguinte. Começou o quarto mandato em 2003, quando trocou de partido novamente. Desta vez, para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em 2005, foi para o PFL, onde ficou por menos de um ano, indo então para o PP (2005-2016), sigla que o abrigou por mais tempo em sua carreira política. Entre 2016 e 2018, ficou no PSC, concorrendo à Presidência pelo PSL. Após brigas internas, deixou a sigla em 2019.