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Política
NOTÍCIA

Quem é Roberto Ferreira Dias, preso por mentir na CPI da Covid

O depoente é acusado de pedir propina de US$ 1 para autorizar a compra da vacina AstraZeneca pelo governo federal

Filipe Pereira
12:31 | 07/07/2021
Roberto Dias teria pedido propina de US$ 1 na negociação para compra de doses de imunizantes
 (Foto: Foto: Agência Brasil)
Roberto Dias teria pedido propina de US$ 1 na negociação para compra de doses de imunizantes (Foto: Foto: Agência Brasil)

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid escuta nesta quarta-feira, 7, Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde. Ele foi exonerado do cargo no dia 29 de junho, após denúncia de que teria pedido propina de US$ 1 para autorizar a compra da vacina AstraZeneca pelo governo federal. O depoente nega a acusação. Nesta quarta-feira, ele foi preso após decisão do presidente da CPI, Omar Aziz, por mentir durante a sessão. 

As suspeitas foram levantadas depois da denúncia feita à CPI pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply. Em depoimento à CPI da Covid, na semana passada, ele confirmou ter recebido um pedido de propina para a compra de 400 milhões de doses da vacina.

Aos 40 anos, Roberto Dias trabalhou como controlador de voo até 2009, quando se tornou assessor de investimentos da CWBX, uma corretora de Curitiba. Em 2011, por meio de uma sociedade com um amigo, ele tentou fundar uma corretora, a Dax Cred Assessoria de Crédito. Contudo, o projeto não teve sucesso.  Em 2012, o então assessor de investimentos ingressou na vida pública.

Foi aprovado em concurso para a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), em uma vaga para afrodescentendes. Em fevereiro de 2015, o então deputado federal Abelardo Lupion (DEM-PR)
assumiu a presidência da Cohapar, onde conheceu Dias. Na época, o governador do Paraná era Beto Richa (PSDB) e a vice era Cida Borghetti.

Em janeiro de 2019, o então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) escolheu Dias para o cargo de diretor do Departamento de Logística da pasta, o Delog. Seu nome foi indicado por Abelardo Lupion e por Ricardo Barros, que era ministro da Saúde no governo de Michel Temer.

Após um escândalo envolvendo pedido de propina, o ministro da Saúde justificou que a nomeação de Roberto foi feita por razões técnicas. Mesmo após a demissão de Mandetta, ele se manteve no cargo, onde permaneceu até a gestão de Marcelo Queiroga. 

Em outubro de 2020, o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pediu a demissão do Roberto Ferreira Dias, após o diretor se envolver em suspeitas de irregularidades em um contrato para compra de 10 milhões de kits de testes de Covid. Porém, o presidente Jair Bolsonaro vetou a demissão, por pressão política.