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Política
NOTÍCIA

Provável migração de lideranças do PCdoB para o PSB é vista com cautela no Ceará

Estratégia, que visa garantir a atuação dos principais nomes do partido comunista no jogo político de 2022 e conta com apoio de Lula, encontra barreiras no Estado

16:41 | 17/06/2021
Vereador Evaldo Lima falando sobre o seu projeto. Professores protestaram contra a retirada de pauta da proposta de Evaldo, sobre liberdade de cátedra (Foto: Sandro Valentim/O POVO)
Vereador Evaldo Lima falando sobre o seu projeto. Professores protestaram contra a retirada de pauta da proposta de Evaldo, sobre liberdade de cátedra (Foto: Sandro Valentim/O POVO)

A suposta migração de grandes nomes do Partido Comunista Brasileiro (PCdoB) para o Partido Socialista Brasileiro (PSB), dentro de uma estratégia articulada pelo ex-presidente Lula (PT), já é tida como certa por alguns integrantes da sigla. Dentre os nomes que deverão fazer parte da mudança, estão o governador do Maranhão Flávio Dino - que anunciou nesta quinta, 17, sua saída do PCdoB -, a ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) e o deputado federal Orlando Silva (PCdoB). No Ceará, entretanto, a união entre as duas siglas ainda é vista com cautela.

Segundo o vereador Evaldo Lima (PCdoB), o Professor Evaldo, o PCdoB tem apostado em uma “federação partidária”, modelo que permitirá às legendas se unirem nas eleições sem que deixem de existir de forma autônoma. Ele indica que tal estratégia é uma forma de garantir a “preservação de um partido fundamental para a história”.

Sobre a suposta onda de migrações para o PSB, o vereador comenta: “O Freixo saiu numa solução dialogada com o Psol. Saiu pela porta da frente. E caso Flávio Dino, Manuela e Orlando também tomem essa decisão, será algo acordado com o PCdoB, a partir de uma tática eleitoral. É muito importante preservar a atuação pública desses parlamentares”.

O deputado estadual Renato Roseno (Psol) também comentou a saída de Freixo do Psol e o elogiou em suas redes sociais. “Seguiremos em partidos diferentes, mas sempre nas mesmas trincheiras de defesa da democracia”, destacou o político em suas redes sociais.


Denis Bezerra (PSB), presidente da sigla no Estado, disse que "o debate dessa agenda ainda está em construção” e que, no Ceará, o debate interno e com os representantes do PCdoB não ocorreu. “Eu acredito que esse tema vai esperar um pouco para entrar em pauta”, disse. Conforme Bezerra, existem outras prioridades para a legenda antes que os debates acerca das migrações sejam discutidos, como a reforma eleitoral e a possibilidade de federação entre partidos.

Apesar do otimismo na fala do presidente estadual do PSB, a possível fusão entre PSB e PCdoB, com apoio de Lula, acaba encontrando barreiras devido às conjunturas locais. No Ceará, as lideranças das legendas são aliadas ao PDT do ex-ministro e presidenciável Ciro Gomes, que por sua vez tem feito duras críticas a um provável concorrente nas eleições de 2022, o ex-aliado Lula.

No Estado, apesar de o PSB fazer parte da base aliada do governador Camilo Santana, que é do PT, a influência maior é do grupo pedetista dos Ferreira Gomes. Além disso, na Capital, o PDT também comanda a Prefeitura de Fortaleza, com Sarto Nogueira (PDT), tendo como vice um nome do PSB: Élcio Batista.

Lula já deixou clara a sua disposição para uma aliança com Camilo Santana (PT). Ainda neste ano, em entrevista à rádio O POVO CBN, o petista afirmou que quer “disputar o coração bondoso” do governador. Mas Camilo ainda mantém aliança com os pedetistas.
As migrações

Essas movimentações não acontecem por acaso. Fazem parte de uma estratégia que visa aglutinar os apoiadores do ex-presidente Lula que, por sua vez, galga uma aliança com o PSB para as eleições de 2022.

Além de unir aliados, a estratégia tem em vista a atual preocupação de algumas siglas com o mecanismo da cláusula de barreira, regra que exige dos partidos no mínimo 2% dos votos para ter acesso às verbas do fundo eleitoral e também ao tempo de propaganda no rádio e a TV.

Iniciando as mudanças, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) articula ida para o PSB após 16 anos filiado ao Psol. Nesse contexto, ele aproveitou para anunciar a sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro. Em suas redes sociais, o parlamentar escreveu sobre a sua trajetória no Psol e reafirmou que, mesmo no PSB, os dois partidos não deixarão de estar do mesmo lado.

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