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Política
NOTÍCIA

Pazuello ajusta discurso sobre Manaus após ser confrontado com ofício da pasta

Pazuello vinha afirmando que só foi informado sobre o problema de oxigênio no dia 10 de janeiro

17:20 | 19/05/2021
Brasilia em 19 de maio de 2021, Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva do ex-ministro da Saúde. O objetivo é obter respostas sobre a conduta do ex-ministro nos dez meses em que esteve à frente do ministério, em pontos como postura governamental, isolamento social, vacinação, colapso em Manaus e omissão de dados.

Ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, nega que Ministério da Saúde tenha perdido testes para coronavírus por falta de validade.
Brasilia em 19 de maio de 2021, Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva do ex-ministro da Saúde. O objetivo é obter respostas sobre a conduta do ex-ministro nos dez meses em que esteve à frente do ministério, em pontos como postura governamental, isolamento social, vacinação, colapso em Manaus e omissão de dados. Ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, nega que Ministério da Saúde tenha perdido testes para coronavírus por falta de validade. "Os testes foram distribuídos e usados. A validade emergencial da Anvisa foi revista. Teste com validade perdida é zero". Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello precisou ajustar seu discurso sobre a crise no Amazonas, após ser confrontado com um ofício, relevado pelo Broadcast Político, no qual o ex-secretário executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco afirma que a pasta soube dos problemas de oxigênio no Estado na noite do dia 7 de janeiro, em uma conversa com o secretário de Saúde do Estado. Pazuello vinha afirmando que só foi informado sobre o problema de oxigênio no dia 10 de janeiro.

O documento foi ressaltado durante a sessão pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). Com isso, o ex-ministro da Saúde precisou dizer que apenas no dia 10 foi comunicado a ele "de forma clara" sobre a situação em Manaus. O ex-ministro confirmou que o secretário de Saúde do Estado ligou para ele, em seu telefone pessoal, para pedir ajuda no transporte de cilindros de oxigênio de Belém para Manaus, que iriam para o interior do Amazonas. "No dia 10, foi a primeira vez que o secretário colocou de forma clara que havia problemas na logística e fornecimento de oxigênio para Manaus", disse Pazuello.

Como mostrou o Broadcast Político, o ofício do Ministério da Saúde que traz a data do dia 7 de janeiro chegou à Câmara em março. "Quando esse ministério soube que faltaria oxigênio na rede de saúde do Estado do Amazonas, esclareço que, na noite de 7 de janeiro de 2021, este ministério tomou ciência de problemas relacionados ao abastecimento de oxigênio da rede de saúde do Amazonas. Tratou-se de uma conversa informal entre o secretário de Saúde do Estado do Amazonas e o ministro da Saúde, naquela noite, por telefone, apenas e tão somente para solicitar apoio no transporte de 350 cilindros de oxigênio de Belém para Manaus", escreve Franco em resposta a um requerimento de informação feito pelo deputado José Ricardo (PT-AM).

"Ainda pela noite, o ministro da Saúde coordenou, pessoalmente, o apoio com o ministro da Defesa e com o Comando Conjunto Amazônia para o transporte aéreo de 150 cilindros de oxigênio, totalizando 1.275m3 de Belém para Manaus, com entrega no dia 8 de janeiro, e de mais 200 cilindros para entrega no dia 10 de janeiro", diz o ex-secretário executivo exonerado da função no fim de março.