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Política
NOTÍCIA

Pazuello à CPI: "Em nenhum momento o presidente me desautorizou ou orientou a fazer algo"

Pazuello confirmou que o empresário Carlos Wizard passou um mês ajudando nas atividades do Ministério da Saúde, e que ele propôs reunir médicos para aconselhar governo

Filipe Pereira
11:14 | 19/05/2021
Pazuello à CPI:
Pazuello à CPI: "Em nenhum momento o presidente me desautorizou ou orientou a fazer algo" (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Em depoimento à CPI da Covid, nesta quarta-feira, 19, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello disse que o presidente da República Jair Bolsonaro não lhe deu, "em hipótese alguma", ordens diretas sobre tratamento precoce contra o novo coronavírus. Ao ser questionado pelo relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sobre eventuais ordens de Bolsonaro em relação a medicamentos sem eficácia contra a doença, Pazuello afirmou que "em hipótese alguma" recebeu tais orientações. 

"Em momento algum o presidente me orientou, me encaminhou ou me deu ordem para eu fazer nada diferente do que eu estava fazendo. As minhas posições e minhas ações nunca foram contrapostas pelo presidente", disse Pazuello. Segundo ele, as orientações presidenciais ocorriam no sentido de "fazer as coisas acontecerem o mais rápido possível".

O relator lembrou que o empresário Carlos Wizard assumiu ter atuado como conselheiro do MS com aconselhamento voluntário, e recebeu convite para trabalhar na pasta. Um dos próximos convocados CPI, Wizard é apontado como um dos articuladores de uma assessoria paralela que aconselhava o presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia.

Pazuello diz que conheceu Wizard na Operação Acolhida, e que ele e a esposa foram voluntários, tornando-se um amigo. Quando foi chamado, o ex-ministro disse que chamou Wizard pra ser um "grande link entre a pandemia e o público". Diz que atuou pro bono (de graça) e foi indicado para trabalhar na Secretaria de Ciência e Tecnologia, mas que não aceitou.

Pazuello confirmou que Wizard passou um mês ajudando e que ele propôs reunir médicos para aconselhar o governo. O general diz não ter aceitado, que foi em uma reunião apenas e não gostou da proposta. Perguntando se as pessoas tinham uma conexão com o presidente, ele disse desconhecer.