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Política
NOTÍCIA

O que acham os fiéis cearenses sobre a realização de cultos religiosos durante a pandemia?

O Supremo Tribunal Federal (STF) continua a julgar nesta quinta-feira, 8, a possibilidade da abertura de igrejas durante a pandemia da Covid-19 para a realização de cultos e missas presencialmente

Filipe Pereira
18:30 | 08/04/2021
Fortaleza em 5 de abril de 2021, Movimentacao no culto da igreja do Senhor Jesus, na messejana. O STF autorizou a abertura das igrejas, mesmo no lockdown devido da pandemida do covid-19. (Foro FCO Fontenele) (Foto: FCO Fontenele)
Fortaleza em 5 de abril de 2021, Movimentacao no culto da igreja do Senhor Jesus, na messejana. O STF autorizou a abertura das igrejas, mesmo no lockdown devido da pandemida do covid-19. (Foro FCO Fontenele) (Foto: FCO Fontenele)

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quinta-feira, 8, o julgamento sobre liberação de celebrações religiosas presenciais, como cultos e missas, em razão da pandemia de Covid-19. Em Fortaleza, lideranças religiosas divergem sobre o tema. Todavia, sobre a questão, o que pensam os fiéis que integram as diversas religiões presentes na Capital?

A muçulmana Karine Garcês, Internacionalista e integrante do Comitê Islâmico de Solidariedades, defende que a abertura de templos desrespeita as regras de saúde pública durante a pandemia. Ela avalia que os centros religiosos tendem a não seguir as normas de isolamento social e defende que fiéis “não precisam estar no templo religioso para estar próximo de Deus”.

“Para estar próximo de Deus, você precisa fazer boas ações, inclusive, nesse tempo da pandemia, preservar sua vida e a do próximo. Até porque quando a gente cuida da nossa saúde, da nossa proteção para manter a questão do isolamento social, ficando em ficar em casa e não saindo desnecessariamente, estamos cuidando da vida, então você está praticando a religião”, avalia.

Karine defende ainda o uso de meios tecnológicos para a manutenção da prática religiosa e critica a possibilidade de questões financeiras serem prioridades no momento . “Faz uma live, usa a internet. Com os templos fechados as doações diminuem, mas essas lideranças têm que perceber que a situação financeira dos seus fiéis está muito crítica. Então, no lugar de pensar no dízimo e na oferta que vai receber, é pensar na saúde mental e financeira das pessoas”, destaca.

A cabeleireira Liliane da Silva, catequista da Igreja São José, no Siqueira, defende uma abertura, porém, com a adoção das medidas de restrições já impostas durante as missas na Capital. "Participo sempre da missa católica. A maioria das igrejas está sempre mantendo todas as restrições. Tinha o agendamento, eles faziam a medida da temperatura da pessoa antes de entrar, todos com utilização de máscara e com distanciamento divididos entre os bancos”, lembra.

Também integrante da Pastoral da Comunicação (Pascom), setor responsável pela comunicação religiosa, Liliane avalia que o impacto psicológico imposto pela pandemia aos fiéis valida ainda mais a abertura dos centros. “Para a gente que é cristão, estar no momento com Deus é muito importante para manter nossa sanidade mental e espiritual”, diz. Nesta segunda-feira, 5, a Arquidiocese de Fortaleza recomendou que instituições religiosas mantenham as celebrações virtuais na capital.

Para a umbandista Mãe Bia, do Centro Espírita de Umbanda General de Brigada e Rainha Pombo Gira, no Vila do Mar, as medidas sanitárias devem ser obedecidas, ficando a cargo dos líderes religiosos a realização ou não dos rituais presenciais. “Todos nós temos que ter amor a nós e ao próximo. A respeito da religião e da reunião, nós sabemos que temos que ficar longe um do outro, então fica a responsabilidade de cada sacerdote”, diz.

Já segundo Derisval Silva dos Santos, também conhecido como Pai Shell, da casa Ilê Iba Áse Kpossun Aziri, no Parque Dois Irmãos, é necessário “sensibilidade para seguir a orientação da ciência”. “Nós que somos religiosos não temos o direito de colocar a vida das pessoas sob essa fragilidade. O meu posicionamento é que as pessoas fiquem em casa. Sou contra a abertura seja qual for o segmento religioso”, destaca.

É o que reforça o professor universitário Jonatan Floriano, adepto ao protestantismo. Apesar de reconhecer a importância do culto religioso presencial na pandemia, ele avalia que este não é o momento para abrir os centros. “A minha opinião, nesse momento em que estamos no Ceará e no Brasil, é que não se permita a reunião dos fiéis. Aqui no Ceará, temos igrejas com várias pessoas que podem se contaminar no mesmo dia”, diz.

Na expectativa de um momento melhor para o que ele chama de “reunião calorosa" entre os membros da Assembleia de Deus Ministério Canaã, em Caucaia, Jonatan nega a necessidade do templo físico para o culto pessoal. “Seguindo o próprio Senhor Jesus que falou dos que o adorarão em espírito e em verdade, a gente entende sim que podemos adorar a Deus em qualquer local”, afirma.

Ele lembra ainda das tecnologias e meios de comunicação disponíveis para a realização das celebrações, podendo a comunidade evangélica recorrer não somente à internet, como também à televisão e ao rádio, amplamente usadas pelas igrejas.

O Ministério Canaã afirmou que continuará com os encontros online. Na última semana, o pastor Davi Goes enfatizou que a “igreja sempre foi um serviço essencial”, mas não mencionou um possível retorno aos cultos presenciais. Outras igrejas evangélicas divergem sobre o assunto. 

A Igreja Universal do Reino de Deus comemorou a decisão do ministro Nunes Marques que no último sábado, 3, e permitiu a retomada dos cultos em igrejas. No Instagram nacional da denominação, a instituição anunciou: “Voltamos com os cultos presenciais já a partir deste domingo 4 de abril em todo o Brasil, por decisão do STF.”