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Política
NOTÍCIA

Trump demite funcionário de segurança eleitoral que descartou fraude

Duas semanas depois das eleições em que foi derrotado pelo democrata Joe Biden, o presidente republicano continua afirmando que venceu e repete, sem apresentar qualquer prova, que aconteceram irregularidades na votação

08:59 | 18/11/2020
Nesta foto de arquivo tirada em 30 de julho de 2018, o subsecretário do Departamento de Segurança Interna dos EUA, Chris Krebs, fala durante a Conferência de Cibersegurança do Departamento de Segurança Interna em 31 de julho de 2018 na cidade de Nova York (Foto: AFP)
Nesta foto de arquivo tirada em 30 de julho de 2018, o subsecretário do Departamento de Segurança Interna dos EUA, Chris Krebs, fala durante a Conferência de Cibersegurança do Departamento de Segurança Interna em 31 de julho de 2018 na cidade de Nova York (Foto: AFP)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu na terça-feira, 17, o mais alto funcionário de segurança eleitoral do país, que rejeitou as denúncias do republicano sobre uma suposta fraude "maciça" nas eleições.

 

Duas semanas depois das eleições em que foi derrotado pelo democrata Joe Biden, o presidente republicano continua afirmando que venceu e repete, sem apresentar qualquer prova, que aconteceram irregularidades na votação.

 

As agências responsáveis pela segurança eleitoral afirmam o contrário e consideraram as eleições de 2020 "as mais seguras da história dos Estados Unidos".

 

O desencontro entre o presidente e estes organismos resultou na demissão de Chris Krebs, diretor da Agência de Segurança de Infraestrutura e Cibersegurança (CISA), que nos últimos dias se dedicou a rebater as acusações de fraude eleitoral de Trump.

 

"A declaração recente de Chris Krebs sobre a segurança das eleições de 2020 foi muito inexata, já que houve muitas coisas inapropriadas e fraude", tuitou Trump.

 

"Portanto, com efeito imediato, Chris Krebs foi destituído", completou.

 

"Honrado por servir. Fizemos o certo", reagiu Krebs no Twitter. De acordo com a imprensa, ele teria afirmado a amigos na semana passada que esperava a demissão.

 

 

A oposição democrata criticou o presidente de maneira imediata.

 

"É patético, mas tristemente previsível, que a manutenção e a proteção de nossos processos democráticos sejam uma causa de demissão", afirmou o democrata que comanda o Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes, Adam Schiff.

 

O senador Mark Warner, principal democrata no Comitê de Inteligência do Senado, declarou que "Chris Krebs é um servidor público extraordinário e exatamente a pessoa que os americanos querem para proteger a segurança de nossas eleições". "Diz muito que o presidente escolha demiti-lo apenas por falar a verdade", completou.

 

O senador republicano Richard Burr, que já presidiu o comitê, afirmou que Krebs e sua equipe "trabalharam de maneira diligente para fortalecer a infraestrutura eleitoral, resolver vulnerabilidades e construir a confiança entre os governos federal e estaduais".

 

Nancy Pelosi, presidente democrata da Câmara de Representantes, disse que Krebs era "profundamente respeitado" e acusou o presidente de demitir o funcionário por "falar a verdade e rejeitar a campanha constante de falsidades de Trump sobre a eleição".

 

Embora alguns congressistas republicanos tenham reconhecido rapidamente a vitória de Biden, muitos permaneceram em silêncio ou apoiaram publicamente as acusações de Trump.

 

 

O 45° presidente dos Estados Unidos, que não conseguiu a reeleição, ao contrário dos três antecessores - Barack Obama, George W. Bush e Bill Clinton -, adotou uma postura muito dura desde o dia das eleições, prometendo uma grande batalha judicial.

 

Desde que a imprensa americana anunciou a vitória de Biden em 8 de novembro, muitos chefes de Estado e de Governo parabenizaram o presidente eleito, demonstrando que não levam a sério as ações judiciais iniciadas pela equipe de Trump.

 

Sem evidências de fraude eleitoral, a maioria dos recursos judicias foi rejeitada pelos tribunais.

 

Apesar das derrotas, os assessores mais fiéis afirmam que se preparam para um segundo mandato de Trump e os seguidores do presidente continuam recebendo pedidos de doações para "defender a eleição".

 

Entretanto, Biden continua com os preparativos para assumir a presidência. O ex-vice-presidente democrata nomeou na terça-feira diversos integrantes da equipe de campanha, metade mulheres, para trabalhar na Casa Branca, onde assumirá o poder em 20 de janeiro.