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Política
NOTÍCIA

"Há pelo menos 10 anos o sistema Globo me persegue", diz Bolsonaro após ameaçar jornalista do grupo

Presidente usou Twitter para escrever que se sente perseguido pela Globo e também citou uma reportagem da Record sobre o suposto envolvimento da família Marinho com doleiros condenados

11:27 | 24/08/2020
"Vontade de encher tua boca de porrada", respondeu Bolsonaro ao repórter (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

O presidente da república, Jair Bolsonaro (sem partido), se manifestou hoje sobre a Globo após ameaçar repórter da rede com uma "porrada na boca". No Twitter, ele não comentou o episódio mas se disse perseguido pela Globo "há pelo menos dez anos".

O presidente também citou uma reportagem da Record sobre o suposto envolvimento de herdeiros do grupo com doleiros condenados. As informações são do portal UOL.

Na rede social, Bolsonaro escreveu:

"Há pelo menos 10 anos o sistema Globo me persegue e nada conseguiram provar contra mim. Agora aguardo explicações da família Marinho sobre a delação do "doleiro dos doleiros", onde valores superiores a R$ 1 bilhão teriam sido repassados a eles".

No último domingo, 23, após ser questionado por um jornalista do O GLOBO sobre repasses de R$ 89 mil feitos por Fabrício Queiroz à primeira-dama, Michelle Bolsonaro, presidente disse: "Vontade de encher sua boca de porrada". O episódio repercurtiu entre jornalistas, políticos, entidades e artistas.

Nota do jornal O GLOBO sobre o ataque do presidente Jair Bolsonaro a um de seus repórteres

O GLOBO também repudiou o ataque de Bolsonaro a um de seus repórteres. Jornal publicou nota afirmando que a intimidação mostra que Jair Bolsonaro " desconsidera o dever de qualquer servidor público, não importa o cargo, de prestar contas à população".

Leia na íntegra

"O GLOBO repudia a agressão do presidente Jair Bolsonaro a um repórter do jornal que apenas exercia sua função, de forma totalmente profissional, neste domingo.

Em cobertura de compromisso público do presidente, o repórter solicitou que ele se pronunciasse sobre reportagens da revista Crusoé e do jornal Folha de S.Paulo que, no início deste mês, informaram que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro Fabrício Queiroz e a mulher dele depositaram cheques no valor de R$ 89 mil na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Anteriormente, o presidente havia prestado uma informação diferente sobre os valores.

Bolsonaro, então, em manifestação que foi gravada, não respondeu à pergunta e afirmou a vontade de agredir fisicamente o repórter.

Tal intimidação mostra que Jair Bolsonaro desconsidera o dever de qualquer servidor público, não importa o cargo, de prestar contas à população.

Durante os governos de todos os presidentes, o GLOBO não se furtou a fazer as perguntas necessárias para cumprir o papel maior da imprensa, que é informar os cidadãos. E continuará a fazer as perguntas que precisarem ser feitas, neste e em todos os governos".

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Sobre o caso Fabrício Queiroz

O policial aposentado saiu do anonimato no segundo semestre de 2018, quando um relatório do Coaf identificou movimentações suspeitas nas contas bancárias de servidores e de ex-funcionários de 22 gabinetes de parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde Queiroz atuava como assessor de Flávio.

Como resultado de apuração, o documento apontou que Fabrício teria movimentado R$ 1,2 milhão no intervalo de um ano, o que seria distante do valor que alegava receber como salário, de R$ 23 mil. Mediante relatório, o Ministério Público do Rio abriu investigação para apurar caso, colocando sob suspeita o ex-policial e Flávio Bolsonaro.

A apuração apontou uma suposta lavagem de dinheiro feita pelo parlamentar, que teria desviado cerca de R$ 2,3 milhões usando como “disfarce” um loja de chocolates e negociações imobiliárias. Segundo investigações, Queiroz auxiliava o filho do amigo ao comandar o esquema de “rachadinha” que possibilitava a rápida ascensão financeira da dupla.

Ação era executada mediante contratação de funcionários sob uma negociação. Na ocasião, servidores ingressavam no gabinete do deputado e devolviam a ele parte de suas remunerações, “rachando” valores com o parlamentar. Para que esquema fosse escondido, segundo investigação, o dinheiro recebido era lavado por meio de empresa e movimentado, entre outros, na conta de Queiroz.

O policial aposentado chegou a se defender a época afirmando que investia em carros, mas não comprovou oficialmente o fato. Além disso, o documento do Coaf chegou a identificar saques feitos por Queiroz de valores altos como de R$ 324 mil e um cheque de R$ 24 mil destinado a atual primeira-dama Michele Bolsonaro.

Como principal alvo da operação, Queiroz permanecia "desaparecido" desde o inicio do ano passado. Sempre quando questionado acerca das investigações que envolviam o nome do filho mais velho, a quem chama de 01, e do amigo de longa data, o presidente Jair Bolsonaro mudava o assunto ou utilizava de mecanismos agressivos para encerrar fala.

Enquanto o presidente seguia tentando "evitar" o nome da sua família no Caso Queiroz, o ex-policial foi preso na manhã do dia 18 de junho, no imóvel de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro. Ignorando os indícios contraditórios, o também investigado Flávio Bolsonaro minimizou a prisão do antigo funcionário afirmando que ela foi apenas uma "peça para atacar seu pai".

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